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Storify põe em xeque ‘jornalismo cidadão’

Criado pelo jornalista But Herman e pelo engenheiro Xavier Dammam, o Storify é como um blog. A diferença é que o website permite a construção de narrativas por meio do recorte direto de informações variadas provenientes de redes sociais como Twitter, Facebook, Youtube, Instagram, Flickr, Google Plus, entre outras. Além disso, a ferramenta oferece ao usuário a opção de publicar seus textos de forma compartilhada – com todos os outros usuários da internet – ou de forma privada – apenas com aqueles que possuírem o link do texto.

Marcelo Bloc, editor de conteúdo do portal Verdes Mares, acredita que o Storify é uma boa ferramenta para cobertura de eventos específicos. (Foto: Arquivo pessoal)

Marcelo Bloc, editor de conteúdo do portal Verdes Mares, acredita que o Storify é uma boa ferramenta para cobertura de eventos específicos. (Foto: Arquivo pessoal)

Parece ser uma fórmula simples, mas o fato é que o website tem potencial para ser um bom canal de proliferação de informações colaborativas. Funciona como uma espécie de esfera pública moderna, onde todos têm a oportunidade de expressar sua opinião e construir uma argumentação com base e comprovação nas opiniões de outras pessoas. Opiniões, estas, despreocupadamente publicadas em redes sociais.

A editora-chefe do portal Terra na Espanha, Carmela Ríos, entende o uso de informações veiculadas nas redes sociais como aproveitável, mas não completamente confiável. “É um lugar que pode ser uma fonte, de utilidade bastante significativa. Não acredito no jornalismo cidadão” disse a jornalista em entrevista ao portal Terra, ao falar sobre o Twitter como fonte genuína de notícias.

Na mesma oportunidade, But Herman, também jornalista e um dos criadores do Storify, esclarece que o website não deve servir para a descentralização do jornalismo, mas para sua contribuição. “Qualquer pessoa pode ser repórter, mas nem todo mundo pode ser jornalista”, frisa Herman.

Ainda no mercado jornalístico, o Storify também pode ser utilizado como ferramenta para cobertura de eventos específicos. É o caso, por exemplo, do portal Verdes Mares. “Utilizamos (o website) sempre que queremos repercutir algo relevante que está acontecendo ou acabou de acontecer”, pontua Marcelo Bloc, jornalista e editor de conteúdo do portal Verdes Mares.

Diferente de Carmela Ríos e But Herman, Marcelo Bloc tem opinião dividida sobre o Storify ser ou não um exemplo de jornalismo cidadão: “Funciona, pelo fato de trazermos para dentro de um conteúdo jornalístico, materiais e opiniões de pessoas não necessariamente ligadas ao jornalismo. No entanto, acho que pode fugir um pouco da definição de jornalismo cidadão quando pensamos que as citações e imagens postadas, muitas vezes acontecem sem a intenção do internauta que assim seja”, destaca Bloc.

Em comentário no Twitter, após ter utilizado o Storify para cobertura de um evento, o internauta Alexandre Gonçalves ressalta: “Storify é usado para narrativas pós-evento. Resultado é cobertura com múltiplas visões”.

Luana Severo, 7º semestre

Storify, novas formas de contar a mesma história

O Brasil viveu, recentemente, um momento único – onde milhares de pessoas foram às ruas manifestar por seus direitos. O movimento também repercutiu na web, talvez até antes de chegar ao asfalto, graças ao poder das redes sociais.

A mídia intensificou a cobertura online e o cidadão comum participou ativamente desse processo, virando produtor e multiplicador de notícias.

Mas o que tudo isso tem a ver com o storify? Não se tratam de meros rodeios. A web tem revolucionado o modo de fazer notícia mundo afora e, nesse contexto, a ferramenta faz todo sentido.

Contar histórias através de outras histórias, sem o cunho social  de redes de relacionamento, como facebook e twitter. Na verdade, o conteúdo postado/tweetado é a base do storify, que usa fragmentos de informações compartilhados por essas mídias para criar novas narrativas.

Usos

A possibilidade de compilar o conteúdo das redes sociais acabou se tornando uma mão na roda para veículos jornalísticos, sites e jornalistas independentes, blogueiros. Não à toa, o storify, que, aliás, foi criado por um ex-repórter, reúne perfis como o do Washington Post e, aqui em Fortaleza, do Diário do Nordeste.

Rosa Hermann, autora do blog Querido Leitor, vinculado ao R7, se referiu ao storify como uma ferramenta útil e simples. Nos comentários, o usuário que se identificou apenas como Emílio agradeceu a dica e completou: “Muito bom mesmo, uma maneira de criar histórias a partir de tudo o que se publica. O que ainda ficou para ser dito, no Storify dá para aprofundar o assunto, criar um novo texto.”

Rafael Rodrigues, jornalista e professor universitário, trouxe a ferramenta da redação para a sala de aula. Rafael acredita que o storify pode estimular o exercício de diversos conceitos, como curadoria de conteúdo e crowdsourcing.

O storify é muito explorado no exterior, mas ainda pouco popular Brasil. Rafael acredita que um dos principais motivos é a falta de tradução para o português e sua utilização mais específica. “Ela não é uma rede social, é um repositório de informações. Ela é uma espécie de jornal ou de blog feito dessas narrativas. Então, isso contrapõe um pouco com o que é a tônica do uso da internet hoje, no sentido de que as ferramentas são essencialmente sociais” – explica.

Mas o site pretende ampliar seus usos e conquistar novas categorias. A prova disso é o lançamento de uma ferramenta voltada para executivos e empresas, o Storify Business.

Lara Costa, 6º semestre

Storify lança ferramenta visando à comunicação interna em empresas

O público empresarial também passou a ser visto como filão para os criadores do site de matérias colaborativas Storify. Visando atrair o segmento dos executivos,Burt Herman e Xavier Dammam, idealizadores do site, apostaram no desenvolvimento da ferramenta “Storify Business”, que permite ao usuário a publicação de material de forma restrita. Por meio do recurso, é possível escolher as pessoas que terão acesso aos textos.

Em entrevista ao site de notícias norte-americano PR Daily, Herman ressaltou que a principal finalidade da nova ferramenta de negócios é a possibilidade de criar histórias destinadas a um público interno, ou seja, sócios, funcionários e clientes de determinada empresa.Na versão convencional do site, o usuário expõe suas publicações ao mundo inteiro. Com o recurso, apenas quem tiver acesso ao link direto da história consegue visualizá-la.

Desta maneira, o empresário pode se utilizar da ferramenta para construir bases de dados sobre a organização. Além disso, as histórias geradas no Storify Business podem servir de parâmetro para o posicionamento da marca em relação ao mercado, tendo em vista que os comentários sobre a empresa nas redes sociais podem ser reunidos num mesmo local, de maneira sintética e organizada.

Customização

Além da privacidade sobre o conteúdo postado, o usuário do Storify Business tem acesso a outros itens exclusivos. Dentre eles, a opção de customizar a página, alterando fonte e esquema de cores. É possível, também, otimizar o mecanismo de busca(SEO), e, ainda, ficar livre dos anúncios que aparecem na versão convencional do site. (Veja quais são as possibilidadesde uso do Storify básico)

Para ter acesso ao Storify Business, é necessário desembolsar, no mínimo, 79 dólares por mês. O preço varia de acordo com a quantidade de pessoas que administram a conta, podendo chegar a até 299 dólares mensais – valor que permite o acesso de 10 editores.

Bruno Mota, 8º semestre

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