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SAÚDE MENTAL E PANDEMIA: Aumenta número de transtornos mentais entre brasileiros

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Entre os muitos desafios e transformações causadas pela Covid-19, a depressão,
conhecida como o mal do século 21, cresceu 90,5% e a ansiedade 14,7% entre
a população.


Milhares de pessoas morrendo. Desemprego aumentando exponencialmente. Hospitais lotados e uma campanha de vacinação lenta. Esse é o cenário do Brasil 15 meses após o início da pandemia do Covid-19. Como consequência desses impasses político-externos, os brasileiros tiveram um aumento no âmbito das doenças psicológicas que têm aumentado no país. Sob essa perspectiva, como avaliar e cuidar da saúde mental durante esse período pandêmico?

O isolamento social chegou como uma necessidade imposta e um desafio a ser vivido. As pessoas precisaram reinventar o modo de fazer as coisas e se adaptar a esse “novo normal”. Essa concepção serviu como proposta para vários âmbitos: trabalho, escola, ir ao supermercado, comprar comida, praticar exercícios físicos, fazer terapia, relacionar-se com as pessoas que moram dentro de casa, encontrar novas formas de contato com pessoas fora de casa, entre outros pontos. A pandemia não fez um convite para o isolamento, ela impôs isso. Lidar com as restrições se tornou tarefa muito difícil. E não foi só o isolamento. Nesse contexto, entraram outras situações: a casa virou trabalho, o trabalho virou casa, onde se dorme é o mesmo lugar onde se estuda, a jornada de trabalho se tornou mais flexível, mas também às vezes mais longa; os pais se tornaram também professores, papéis se sobrepuseram. Toda essa mudança mexe com a nossa vida em níveis superficiais e profundos, alcançando, claro, a nossa saúde mental.


Dentre os problemas neurológicos o mais preocupante é a depressão. Segundo uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), durante a pandemia, houve um aumento de 90,5%nos casos de doença entre os brasileiros. O mesmo estudo também mostrou aumento nos casos de ansiedade aguda que pulou de 8,7|% para 14,7%. As perdas, o medo, o isolamento, a ameaça de desemprego e o desconforto deram origem a esse diagnóstico. Esse cenário mudou os hábitos das pessoas e gerou transformações que afetam o bem-estar. Sintomas como estresse, insônia, apreensão, perda de energia e desânimo persistente levaram pessoas a procurar ajuda psicológica, e o que antes era presencial tornou-se online.


A psicóloga Larissa Moura diz que com o isolamento e as necessidades de cuidado emocional emergindo de forma intensa, o olhar para o atendimento online se ampliou e, aos poucos, as pessoas foram se familiarizando e vencendo a resistência. E, além disso, concluiu “essa realidade contribuiu para o aumento das possibilidades de cuidado nesse tempo tão difícil”. Segundo pesquisas, dentre as pessoas que procuram ajuda, destacam-se pacientes que já possuíam o quadro de depressão e ansiedade diagnosticadas e foram apenas agravados durante a pandemia ou que serviu de gatilho para abertura de novos casos. Especialistas recomendam a procura de ajuda ao perceber os sintomas. A terapia pode ser uma grande aliada nesse período de adaptação. “A psicoterapia e as outras modalidades terapêuticas são recursos fundamentais para que possamos atravessar esse momento com um pouco mais de equilíbrio e serenidade”, enfatiza a psicóloga Larissa Moura.

Foto: Acervo Pessoal


Diante de tantos fatores negativos que esse panorama nos trouxe e tantos sentimentos aflorados é possível manter a expectativa de dias melhores com o autocuidado. Para a Psicóloga Larissa Moura, todos precisam aprender a cultivar o que nos traz esperança no meio desse contexto difícil. Onde a esperança mora é uma descoberta pessoal e intransferível que cada um é convidado a fazer ao longo da sua vida. Para uns, contínua Larissa, ela mora na espiritualidade; para outros, no trabalho, nas relações familiares, no serviço, no senso de contribuição. Essa é uma descoberta que cada um precisa fazer.


Com esse aumento na procura de acompanhamento psicológico, vários projetos de plantões surgiram com o intuito de acolher aqueles que viessem a procurar essa ajuda profissional. O Conexão Afetiva é um desses projetos, o grupo é formado por psicólogos voluntários e estagiários, de todo o Brasil. Essa iniciativa tem o objetivo de oferecer apoio psicológico nesse momento de pandemia. Larissa Moura, a entrevistada dessa reportagem, é uma das voluntárias desse projeto e explica a importância de grupos como este para o momento atual:


“Acho importantíssima a mobilização dos psicólogos nesse momento para promover cuidado emocional no contexto de emergência. Esse é um dos pontos abordados em nosso Código de Ética, o qual nos orienta a prestar serviços psicológicos em situações de calamidade pública e emergências, sem visar benefício próprio. É claro que uma iniciativa desse tipo não pode ser proposta de qualquer forma. Toda forma de cuidado oferecida precisa ter como base a capacitação contínua, a responsabilidade com a vida, o respeito à dignidade humana, ainda mais em uma situação de
pandemia, quando todos estamos sofrendo tanto de inúmeras formas diferentes.”


Larissa Moura explica que a saída para a manter a saúde mental nesses dias turbulentos estão em hábitos do dia a dia, não existe uma fórmula mágica: ¨Estamos todos atravessando o mesmo mar revolto, mas em barcos bem diferentes. Desse modo, o que pode significar cuidado para mim, pode significar um peso para você. Existem várias formas de cuidar da saúde mental: ler, fazer atividade física, ter um grupo no whatsapp para falar com amigos e trocar memes engraçados, cozinhar, brincar com os bichinhos em casa, ver um filme em família. Tudo isso são maneiras de cuidar da
saúde mental. A questão é: qual desses cuidados me atende? Qual dessas formas de cuidado atende a sua necessidade.”

Texto: Gleiciane Soares, Davi Carvalho e Samuel Arcelino (Jornalismo / Uni7)

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