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Dia das Mães: diversidade de possibilidades, unidade de significado

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Em artigo de opinião com exclusividade à UNI7, a titular da 13ª Defensoria Michele Cândido Camelo faz sua homenagem à pluralidade da data

Titular da 13ª Defensoria Michele Cândido Camelo / Imagens: Assessoria de comunicação da Defensoria Pública

No ano de 2015 o Supremo Tribunal Federal (STF) bateu o martelo com relação à adoção por pessoas do mesmo sexo ao decidir que não seria possível impor qualquer restrição a essa parentalidade. Como diz a música de Caetano Veloso “e foste um difícil começo, afasto o que não conheço e quem vem de outro sonho feliz de cidade”.

A partir daí desculpas preconceituosas para o não reconhecimento das mais diversas famílias, e por consequência, das mais diversas maternidades, já não cabiam mais nas discussões jurídicas.

Apesar de não precisarmos mais rotular a parentalidade, o que foi um grande ganho para as famílias e em especial para crianças e adolescentes, possuímos ainda papéis de gênero muito definidos em nossa sociedade, de forma que temos mães trans, mães solo, mães hétero, mães casadas, sempre mães e isso tem um “peso” que precisamos destacar.

Na delimitação dos papéis de gênero compelido às mulheres, a estas restou uma característica que se confunde com a visão tradicional de maternidade, o dever de cuidado. O amor materno, que não é característica atribuída só às mães, reflete uma dedicação de cuidado a outrem, seja aos filhos, seja aos pais, à casa ou ao marido.

Esse atributo gera uma responsabilidade desigual, a ponto de 42% das mulheres deixarem o trabalho após terem filhos, sendo que 35% permanece fora do mercado por dez anos, segundo pesquisa desenvolvida pela estudiosa Maria Berenice Dias em 2023.

Nesta mesma perspectiva temos que as mulheres dedicam 24,4 horas semanais aos afazeres domésticos enquanto os homens praticamente metade, segundo pesquisa do IBGE. Isso demonstra o desequilíbrio das atividades de cuidado que temos entre homens e mulheres e entre pais e mães, por consequência, tanto que 7 em cada 10 empreendedoras abrem seu próprio negócio ao se tornarem mães, a fim de permitir conciliar a atividade de cuidado com a necessidade de auferir renda.

Independente de que categoria de mãe, lhe são atribuídas responsabilidades distintas e extremamente desgastantes e desiguais, sobretudo no âmbito privado, no âmbito das relações familiares, com reflexos públicos.

Diante da diversidade de maternidade e do que significa ser mãe, celebrar o dia das mães deve não somente enaltecer, mas sobretudo refletir e agir para uma igualdade de papéis no seio familiar e na sociedade, além de políticas públicas específicas para que possamos dizer, um dia, que foi um difícil começo, mas vivemos em um outro sonho feliz de cidade, ao qual chamamos de realidade.

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