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Análise do site Vogue Magazine com base nas sete características do Webjornalismo

Categoria:

Artigos, Texto, Uni7 Informa

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Mariana Freitas Sousa

Centro Universitário 7 de Setembro (UNI7)

Sumário: 1. Introdução. 2. Hipertextualidade. 3. Multimedialidade. 4. Memória. 6. Instantaneidade. 6. Personalização. 7. Ubiquidade. 8. Considerações finais. 9. Referências bibliográficas.

Resumo: Este artigo foi produzido no contexto da disciplina de Webjornalismo, lecionado pela professora Ana Márcia Diógenes, no Centro Universitário 7 de Setembro. Tem o objetivo de analisar a revista Vogue Magazine, utilizando como base o livro Webjornalismo: 7 caraterísticas que marcam a diferença, organizado por João Canavilhas (2014).  O artigo analisa todas as sete características do livro: hipertextualidade, multimidialidade, interatividade, memória, instantaneidade, personalização e ubiquidade.

Palavras-chave: Vogue; site; revista 

1 Introdução 

A revista Vogue surgiu no dia 17 de dezembro de 1892, em Nova York, idealizada por Arthur Turnure. Começou como um folhetim de aproximadamente 30 páginas, destinado às mulheres da alta sociedade. Em 1909, foi comprada pela Condé Nast Publications, que foi responsável por transformar a revista  na referência que é hoje, combinando de forma única, moda, beleza, arte, estilo e textos jornalísticos. É uma revista conhecida mundialmente e ditadora de tendências. 

Com mais de cem anos de história, ela continua sendo uma das maiores revistas de moda do mundo e está sempre se adaptando às mudanças da sociedade. A publicação também tem influência na cultura pop, como no cinema, música e até na dança como o voguing. Ela está presente e é ativa nas principais redes sociais digitais, Instagram, Facebook e Twitter, além de ter seus próprios aplicativos como o Vogue Runway, onde tem disponível looks que foram desfilados pelas marcas e também o aplicativo da própria revista que disponibiliza para compra todas as revistas desde 2012. 

  1. Hipertextualidade 

Umas das primeiras características a se destacar é a hipertextualidade, que tem como função facilitar a interatividade e dinâmica do leitor ao acessar a internet. Segundo Theodor Nelson (1960; p.4) que foi quem criou esse termo hipertexto, significa “uma escrita não sequencial, um texto com várias opções de leitura que permite ao leitor efetuar uma escolha”. Esse conceito é associado à tecnologia da informação ao fazer referência à escrita eletrônica, e é uma espécie de obra coletiva apresentando textos dentro de outros, formando assim uma rede de informações. Exemplos de hipertextualidade são: blogs, fóruns e artigos.

Analisando o site da Vogue é possível encontrar hipertextos na matéria “This week in images: New York Fashion Week returns and Gucci celebrates 100 years” em que é abordada a volta da semana de moda em Nova York e os cem anos da marca Gucci. É um texto curto, mas em que é possível encontrar quatro hiperlinks (figura 1). Os links encontrados no texto estão ligados ao assunto da matéria.

Figura 1 – Acesso em 15 de maio de 2021

Fonte: https://www.vogue.com/slideshow/week-in-images-cdc-new-york-fashion-week-gucci 

Os hiperlinks complementam o texto trazendo mais informações e fazendo com que o leitor procure mais sobre o assunto dentro do próprio site. O objetivo do hipertexto é facilitar a comunicação entre diversos conteúdos, proporcionando maior eficácia no processo de leitura e repercussão da informação.

  1. Multimedialidade 

A multimedialidade é um conjunto de linguagens que transmite uma comunicação através de vários meios, como textos, gráficos, sons, imagens e vídeo. Para que o material jornalístico seja bem recepcionado pelo público, os principais elementos que compõem a informação devem estar em sintonia. Estes critérios são: compatibilidade, complementaridade, ausência de redundância, hierarquização, ponderação e adaptação, e

Para que a informação multimédia seja atrativa e inteligível para o público é necessário que os elementos que compõem estejam devidamente interligados. O texto, o som, as imagens e o vídeo, assim como outros elementos que possam surgir no futuro, devem estar devidamente coordenados para que o resultado seja harmonioso. (SALAVERRÍA, 2014, p.46).

No site da revista Vogue é possível encontrar variadas formas de mídias, como imagens, sons e textos, o que permite aferir que esta é uma das principais formas de trabalho do site.

Uma vez que o foco da revista é moda e beleza, os editores fazem uso constante de texto, imagens e vídeo, como acontece com o “Good morning Vogue”, um programa direcionado para as notícias do mundo da moda, que conta com celebridades, modelos, designers e inspirações criativas em vídeo. Outros exemplos são: “Beauty secrets”, uma série de vídeos que mostra a rotina e os produtos preferidos pelas famosas; e também o podcast “In vogue: the 1990s podcast”, programa focado na moda dos anos 90 do século passado (figura 2).

Figura 2 – Fonte: https://www.vogue.com/tag/misc/podcast 

Apesar da multimédia dar mais destaque aos formatos gráficos e audiovisuais, o texto continua sendo a estrutura principal, ele atua como elemento de contextualização para o leitor “de todos os formatos comunicativos disponíveis, o texto oferece o conteúdo mais racional e interpretativo.” (P. 33). Ele informa os aspectos principais da informação. 

4 Memória

Uma das maiores vantagens da internet é a possibilidade de arquivar documentos, sem a barreira do espaço físico. Além da economia de espaço destaca-se a economia financeira e conservação ambiental diminuindo o consumo de papel, além de que os arquivos podem ser consultados a qualquer momento diretamente pelo computador. No jornalismo, a memória pode ser recuperada tanto pelo usuário como pelo produtor de informação usando palavras-chaves e datas, e isso

               Mas não apenas em obituários e aniversários o trabalho direto da memória se faz presente na produção dos textos jornalísticos. a memória entra em ação de maneira recorrente, de modo quase natural, na produção do relato da atualidade, seja como ponto de comparação do evento presente com eventos passados (recentes ou remotos), como oportunidades de analogias, como convites à nostalgia, ou mesmo através da apresentação do presente como elemento para desconstruir e tornar a construir, sob a luz de novos fatos, os acontecimentos do passado (ZELIZER, 2008, p. 82).

No site da revista há uma área específica para essa ferramenta, a “Vogue archive” (figura 3), onde se encontram matéria e capas de revistas de antes do surgimento da internet. É uma ferramenta para as pessoas que fazem pesquisas ou estão à procura de matérias específicas. Nessa parte do site é possível pesquisar por décadas ou datas específicas (figura 4), mas para que o público tenha acesso é necessário um login. 

Figura 3 – Fonte: https://archive.vogue.com/ 

Figura 4 – Fonte: https://archive.vogue.com/ 

A memória também é um recurso importante no hipertexto, podendo dar acesso a matéria mais antigas do site. É um recurso de mídia tradicional que se adaptou ao virtual, permitindo o cruzamento de datas e palavras-chave sem limitação de espaço.

  1. Instantaneidade

No século XIX, levava semanas ou até meses para que uma notícia chegasse de um continente a outro. A maioria das notícias eram veiculadas em jornais impressos e rádio, uma opção que muitos não tinham condições de ter, como os mais pobres, já que muitos não sabiam ler, ou seja a notícia só chegava a um certo grupo da sociedade, com mais poder aquisitivo. 

Mas com a globalização e os avanços tecnológicos dos séculos XX e XXI, tem sido comum que a notícia chegue primeiro ao telespectador do que ao jornal. Por exemplo, a explosão que aconteceu no Porto de Beirute em 2020, antes de ser noticiada, vídeos e fotos já estavam nas redes sociais digitais em poucas horas, e a informação passou a circular mais rápido por conta da internet. “Caso o veículo (publisher) não conseguisse ser o primeiro a divulgar a estória, então teria de ser o primeiro a obter a primeira fotografia, primeira entrevista, a primeira reação ou o primeiro a fornecer a análise do fato”. (PAUL BRADSHAW, 2014, p. 112). 

A revista Vogue, pela presença constante nos principais desfiles das grandes marcas e ter contato com os seus estilistas, é conhecida como uma lançadora de tendência, além de ser a primeira opção de celebridades para entrevistas e notícia de primeira mão. Diferente de sites de notícias factuais, devido o enfoque da Vogue ser outro, voltado para a moda, desenvolve uma velocidade de notícias diferente.  

  1. Personalização 

As plataformas usam as informações dadas pelo usuário através do cookie ou em uma determinada publicação para conhecer o seu público e assim se adaptar e personalizar a plataforma para webleitor, assim

“Personalização” ou o ato “personalizar” descreve as atividades de “fazer ou alterar as especificações individuais ou pessoais” (Heritage, 2000). Uma pequena variação dessa definição é dizer que a personalização é “ fazer (algo) de acordo com as necessidades individuais dos clientes.” (dicionário Collins, 1991). em suma, quando trabalhamos neste espaço, o nosso objetivo fundamental não é criar um produto ou serviço uniforme.” (MIRKO LORENZ;  2014, p. 139). 

É um processo de individualização que cada leitor realiza uma pré-seleção dos assuntos de interesse no site. Um exemplo é a newsletters, um serviço em que o usuário indica quais os assuntos e notícias deseja receber por e-mail. 

No site da vogue é possível perceber que a organização é feita para que não confunda o leitor e seja agradável de usar e ler. No canto superior esquerdo há o menu principal separado em tópicos (fugura 5), para que o leitor escolha entre qualquer tema que queira ler. Há também a assinatura para a newsletters (figura 6), que é um serviço em que o usuário pode decidir sobre qual tema quer receber por e-mail. E ainda a assinatura da revista (figura 7), pela qual o usuário tem direito a todo o acervo do site, além de receber em casa o exemplar físico da revista e um presente exclusivo. 

Figura 5 – Fonte: https://www.vogue.com/?us_site=y 

Há também a assinatura para a newsletters (figura 6), que é um serviço em que o usuário pode decidir sobre qual tema quer receber por e-mail. E ainda a assinatura da revista (figura 7), pela qual o usuário tem direito a todo o acervo do site, além de receber em casa o exemplar físico da revista e um presente exclusivo. 

Figura 6 – Fonte: https://www.vogue.com/newsletter/subscribe 

Figura 7 – Fonte: https://subscribe.vogue.com/subscribe/vogue/130500?source=AMS_VOG_MOBILE_GLOBAL_NAV_CTA_0_INTLControl21_ZZ&pos_name=AMS_VOG_MOBILE_GLOBAL_NAV_CTA 

  1. Ubiquidade 

Ubiquidade significa estar presente em todos os lugares a qualquer momento, simultaneamente. Tudo o que você acessa na internet está em todos os lugares ao mesmo tempo. Por exemplo, uma foto postada no Instagram pode ser vista de qualquer lugar a qualquer momento. Todos têm acesso interativo a uma rede social digital em tempo real, podendo interagir, visualizar, participar e fornecer conteúdo. E com a colaboração da produção jornalística na web surgiu o jornalismo cidadão. 

No contexto da mídia, a ubiquidade implica que qualquer um, em qualquer lugar, tem acesso potencial a uma rede de comunicação interativa em tempo real. quer dizer que todos podem não apenas acessar notícias e entretenimento, mas participar e fornecer sua própria contribuição com conteúdos para compartilhamento e distribuição global. (JOHN V. PAVLIK, 2014, p.160)

No caso da Vogue, ela é presente e ativa em todas as principais redes sociais digitais como Instagram (figura 8) e no site. A revista tem filiações por todo o mundo, como a Vogue Brasil, que é personalizada para o público brasileiro, mas mantém o mesmo enfoque principal que é moda e life style. 

Figura 8 – Fonte: https://instagram.com/voguemagazine?utm_medium=copy_link 

A Vogue Magazine chama atenção e atrai o público utilizando imagens e textos sobre celebridades e conteúdos que estão em alta. Fazendo com que o receptor seja atraído para suas plataformas digitais.

8 Considerações finais 

A análise da revista possibilitou conhecer os principais tópicos do livro. Apesar da falta de interatividade com o público, ela consegue manter a audiência presente. Foi possível perceber que algumas postagens têm poucas características de webjornalismo e outras têm mais características, porém a revista não deixa de ser informativa. Entre as sete características que foram estudadas, as que mais se destacam são a multimidialidade e a ubiquidade, que se mostram presentes em todos os canais que a revista utiliza.

A possibilidade de analisar a revista faz com que possamos ver com outros olhos o trabalho feito nela e a importância da utilização de forma correta de todas as características do webjornalismo.

9 Referências bibliográficas

CANAVILHAS, João. Webjornalismo, 7 características que marcam a diferença. Livros LabCom, 2014 

DIANA, Daniela. O que é hipertextualidade. Disponível em < https://www.google.com/amp/s/focawebpress.wordpress.com/2015/03/27/multimedialidade-informar-para-cinco-sentidos/amp/ > acesso no dia 11 de maio de 2021

FISCHBORN, Giovanna. Instantaneidade no webjornalismo. Disponível em < https://medium.com/esquinaonline/instantaneidade-no-webjornalismo-998a59045cf5 > acesso no dia 11 de maio de 2021

FERRON, Verônica. As sete características do webjornalismo. Disponível em < https://medium.com/@veronicaferron/as-sete-caracter%C3%ADsticas-do-webjornalismo-1fb0f2753607 > acesso no dia 13 de maio de 2021

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