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POLÍTICA: Entenda o conflito entre Rússia x Ucrânia

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Período de tensão entre os ex-países soviéticos e o impacto político-econômico em escala mundial

Nas últimas semanas, a relação conflituosa envolvendo a Rússia e a Ucrânia tem feito parte dos noticiários internacionais. De um lado do conflito está a Federação Russa, o maior país em dimensão territorial do planeta, e do outro lado a Ucrânia, um país do Leste Europeu que é uma rota importante de fronteira com outras nações.

Contexto Histórico

Não é de hoje que o ex-estado soviético possui conflitos territoriais mal resolvidos. A Ucrânia, desde 1991, tornou-se um país independente, desvinculando-se da então União Soviética. Esse território, no entanto, faz fronteiras com a Rússia e a região oriental da Europa, levando seus cidadãos a uma divisão: a população que reside ao oeste da Ucrânia apoia o governo ucraniano; já a população que está ao leste do país, apoia a ideologia russa.

A disputa por intervenção econômica e geopolítica na Ucrânia sempre esteve presente por parte do governo russo. A influência da Rússia dentro da região ucraniana somou forças quando, em 2014, uma invasão russa conseguiu incorporar a península da Crimeia ao seu território. Durante o conflito cerca de 13 mil pessoas morreram.

Atualmente, a principal tensão está relacionada ao desejo da Ucrânia em fazer parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), criada em 1949, após  a Segunda Guerra Mundial, pelos Estados Unidos com o objetivo de ser uma ferramenta combativa à expansão da União Soviética na Europa.  O governo russo entende esse desejo como desvantajoso para o Ocidente, pois, em um cenário de guerra, uma Ucrânia aliada é mais vantajosa para a Rússia. O mesmo ocorre com os países do Oriente, os ataques ao território russo seriam viabilizados com facilidade tendo a Ucrânia como aliada.

Cenário Econômico

As movimentações de tropas militares em fronteiras dos países russo e ucraniano, geraram um sinal de alerta em escala global. Além da tensão decorrente da possível eclosão de uma guerra, e do risco geopolítico mundial, a economia também foi uma das atividades que já começaram a sentir os impactos deste embate.

De acordo com o economista, colunista e professor universitário, Ricardo Coimbra, “Os impactos econômicos já estão sendo observados com a forte elevação do preço do barril do petróleo e nas oscilações dos preços das outras matérias primas, bem como dos países que têm relações comerciais com a Rússia e com a Ucrânia, e que de alguma forma possam ser impactados devido ao conflito existente, seja na comercialização ou distribuição dos mais diversos produtos nas pautas dos países que têm relações comerciais com os envolvidos”. Para Ricardo Coimbra, “já se observa em relação ao Brasil, a possibilidade de uma alta no preço dos combustíveis devido a elevação do valor do barril de petróleo”.

Ao analisar os possíveis riscos para a economia global no caso de uma guerra, o economista Ricardo Coimbra relata “Se houver um agravamento de crises como essa da Ucrânia e da Rússia ao redor do mundo, o que poderá ser observado são as incertezas e instabilidades nas relações dos países, fazendo crescer o preço de diversos produtos, de Commodities, além dos embargos que podem acontecer nas relações comerciais.” Ele reconhece que as sanções podem afetar não apenas os países que estão em conflito direto, mas em escala mundial todos os outros demandantes de produtos que fazem ligação com a Rússia e a Ucrânia.

Além disso, ele destaca que nas últimas semanas, com a eclosão deste conflito, alguns setores da economia já mostraram impacto: “As empresas petrolíferas tiveram uma valoração bastante significativa das suas cotações nas bolsas mundiais, e as empresas relacionadas com outros setores de atividades como dos Commodities de modo geral acabaram tendo perdas. Para ele, “Essas oscilações e possíveis perdas econômicas podem continuar acontecendo enquanto não houver um direcionamento de solução mais evidente”.

Cenário Político

Até o momento, não houve nenhum conflito armado, mas é sabido das movimentações de chegada e saída dos soldados russos à fronteira. A tensão gera também desdobramentos políticos. Sobre a iminente guerra, o jornalista e cientista político Thiago Cotrim comenta, “Existe um ditado no meio militar que fala ‘um soldado nunca desembanha uma espada sem intenção de usá-la’ então quando se tem homens fortemente armados numa fronteira como vemos agora, com certeza existe a possibilidade iminente de conflitos, com toda certeza”.

Já para o doutor em Direito Constitucional, Rômulo Leitão, é preciso levar em consideração os alertas emitidos pelo governo americano, “Ainda que a possibilidade real de conflito seja superestimada pela imprensa ocidental, principalmente a dos Estados Unidos, não é possível desconsiderar que a presença de tropas na fronteira – ainda que tenha havido anúncio de retirada de tropas em 15/02 – é fator que pode deflagrar um conflito”, afirma.

Uma das resoluções políticas para amenizar a tensão entre os países, segundo Rômulo, seria o governo ucraniano recuar na decisão de fazer parte do acordo, “No atual estágio de declarações de governo russo, um acordo de não adesão da Ucrânia à OTAN seria decisivo, mas a intervenção de líderes europeus (alemão e francês) tem sido um fator relevante para a busca de um possível consenso.”, conclui.

No entanto, com o passar dos dias, a tensão vem aumentando. Ora a Rússia declara a retirada de parte das tropas militares da fronteira, ora são divulgadas imagens de satélite na qual é possível visualizar a permanência das forças militares russas. Por isso, para Cotrim, a problemática não é tão simples, “porque o envolvimento já ultrapassa os limites territoriais. Já são muitos países envolvidos na situação que até o momento parece diplomática.”, relatou o cientista político.

O Brasil pode ser afetado?

Assim como outras nações, o maior impacto no Brasil seria econômico. A análise do doutor em Direito Constitucional avalia que, “O comércio bilateral entre os dois países é deficitário. A Rússia compra muito pouco do Brasil (0,6%) e um eventual conflito gera dificuldades econômicas imediatas para o país envolvido.”, comentou Rômulo. Já para o jornalista, a relação do Brasil com o governo americano pode não ser tão bem vista pelo governo russo, “essa aproximação de aliança com os EUA colocaria o Brasil na mira da Rússia com certeza com determinadas sanções e com isso o mercado financeiro também sentiria o impacto das quedas na bolsa.”, revelou Thiago.

Escute também nosso podcast: NPJor Casr #11 – Crise Internacional: Rússia X Ucrânia

Texto: Marília Karen (3° semestre / Jornalismo) e Eduardo Sampaio (6° semestre / Jornalismo)

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