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POLÍTICA: a visão dos jovens para o processo político

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Texto, Uni7 Informa

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Apesar do aumento de seis pontos percentuais em relação a 2016 no número de votantes,
2020 apresentou dados negativos entre jovens
eleitores

Números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 20% dos jovens na faixa etária dos 16 aos 17 anos deixaram de votar nas eleições de 2020, se comparados com o ano de 2016. Esses jovens representam 0,7% do eleitorado do país, um número que chega a 1,03 milhão de pessoas. O comportamento desses jovens pode ser explicado como consequência do período pandêmico, mas também sobre a perspectiva política desse grupo. Com novas eleições se aproximando no próximo ano, o quadro se mostra preocupante e muitos candidatos estão em busca dos votos dessa parcela da população.

Em 2022 o Brasil decide quem toma a frente do cargo de Presidente da República Federativa do Brasil, trata-se de um momento delicado para o país que vive uma intensa polarização política. Em pesquisa feita pela empresa Ipsos, Especialista em Pesquisa de Mercado e Opinião Pública, o país supera a média de 28 países, onde 83% da população acredita que existem muitos conflitos entre apoiadores de diferentes partidos, a média global é de 69%. 

Diante da situação, jovens se encontram em uma posição de escolha difícil, tendo em vista que é uma responsabilidade muito grande entregue nas mãos de pessoas que vão votar pela primeira vez, e também, se mostram pressionadas pela atual situação política que o país vive. De acordo com o TSE, dois em cada dez adolescentes de 16 e 17 anos não votaram nas eleições de 2018.

OS PROBLEMAS DA POLARIZAÇÃO

O radicalismo por parte dos dois extremos políticos acaba se tornando um dos maiores problemas para a saúde política da sociedade, partidos são confundidos com times de futebol e suas “torcidas” defendem suas bandeiras incansavelmente, sem deixar brechas para um debate democrático.

O Doutor em Estudos da Mídia e Mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Fernando Nobre comenta que “Uma das principais consequências é a falta de autoridade que as pessoas têm tido, se colocar no lugar do outro, cada um fica na sua bolha, sem ter a sensibilidade de procurar um outro ponto de vista”, ele completa “Como eu não consigo estar no lugar do outro, eu também não consigo dialogar”. 

OS ELEITORES 

O estudante Paulo Sérgio, 20, diz que apesar dos números não serem positivos nas votações, acredita que os jovens têm sim interesse no assunto “Os jovens estão mais inseridos em debates políticos, acredito que de 2018 pra cá, temas muito importantes vêm sendo discutidos e a política sempre está atrelada a eles, os jovens hoje em dia têm mais informações do que antigamente, cada vez mais estão buscando entender”.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Já para Ana Clara, 16, esse processo de debate sobre política é algo mais complicado, “Não é um assunto que gosto de falar, pelo fato de gerar certas discussões, não gosto de falar nem com quem conheço”.

O QUE FAZER PARA MUDAR?

Segundo o professor Fernando, é importante criar um ecossistema de participação política não partidária nas escolas “Seria uma maneira de engajar os jovens, observando como eles colaboram com mudanças no seu próprio bairro, sua participação popular nos processos de decisão, isso é bem importante”. Ele ainda fala sobre como as novas mídias, os podcasts, por exemplo, podem ajudar nesse processo de integração dos jovens “Sem dúvida a ocupação nesses meios fomenta o interesse pela política, que não se resume a PT contra PSL ou Lula contra Bolsonaro, a política é nosso ato de agir, lutando por todos os processos que achamos importantes, e esses meios midiáticos certamente ajudarão os jovens”.

O estudante Paulo Sérgio, diz acreditar que que meios de comunicação como vídeos de plataformas de streaming aproximam cada vez mais o jovem de assuntos como esses. “ Os jovens consomem muito esse tipo de conteúdo e ter esses meios de comunicação que falam com uma linguagem mais acessível, uma linguagem com a cara do jovem sobre temas tão importantes, aproxima a juventude”.

Já Clara, diz que “Hoje em dia a audiência desses podcasts é a maioria de adolescentes, trazer esse assunto de política seria uma boa, fazendo com que os jovens se interessem mais”. 

Para aproximar o eleitor jovem das urnas eletrônicas em 2022, campanhas educativas e institucionais devem ser desenvolvidas junto a esse público. Campanhas como a “Bora Votar. Eu vou porque eu posso”, desenvolvida pela Justiça Eleitoral, devem ser intensificadas visando estimular o jovem eleitor.

TextoHugo Eduardo Sousa (2° semestre / Jornalismo)

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