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CRÔNICA: Foram as pipas que me salvaram

Categoria:

Crônicas, Texto

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De dias normais em dias normais, a rotina me emprobecia, me empacava, me sugava a alma, me deixava tão seco de entusiasmo que nem sei. Mas foram as pipas que me salvaram, ou melhor, as pipas coloridas. É, foram elas. Chamaram minha atenção pros céus, pro real, e me tiraram da rotina que a muitos leva ao escangalhar da alma.

Sempre admirei as pipas. Objetos que rasgam uma imensidão azul, feitas de papéis coloridos e poderosas em sua capacidade de voar. Elas têm seu valor.

Sequestrados pela rotina, obstinados pelo consumismo, viciados em seus celulares, atentos e curvados para as mensagens que emanam das telas brilhantes, nós esquecemos de olhar para os céus e entender o recado das pipas.

Elas são recordações dos tempos em que éramos capazes de nos expressar e de nos divertir através de quinquilharias, de transformar materiais simples em objetos que encantam e dançam pelos céus por meio das mãos de um garoto na rua. As pipas falam de humanidade. Falam de momentos de paz.

Em um momento em que o Brasil parece se desmanchar em um mar de ódio, em que o debate ideológico prevalece sobre as causas humanitárias, ambientais, e até de pautas de educação e saúde, pode parecer maluquice escrever sobre pipas coloridas. Mas é…

Foram as pipas que me salvaram.

Texto: Nathan Silpe (3° semestre – Jornalismo/UNI7)

Foto: National Geographic

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