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SEMINÁRIO: Mulheres questionam que nunca são ouvidas, mas sempre julgadas

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Encontro na UNI7 denuncia a violência e homicídios, pela óptica de quem vive na periferia e de quem pesquisa agressões em Fortaleza e no estado

É difícil ter uma resposta certa e pronta para o aumento de quase 200% de assassinatos de mulheres no Estado do Ceará e 400% em Fortaleza. A avaliação é da jornalista Lorena Alves ao participar do seminário “A vida delas importa”, que debateu o feminicídio no Ceará, na última quinta-feira, 7, no auditório do 2° andar do Centro Universitário 7 de Setembro (UNI7).

O evento foi promovido pelo curso de Jornalismo da UNI7 e proporcionou reflexões acerca do crescimento de vítimas de homicídio do sexo feminino no estado e suas realidades econômicas e sociais. O debate girou em torno das atribuições e experiências das convidadas, como também da participação do público.

Segundo Lorena Alves, que é coordenadora de comunicação do Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência (CCPHA), a atuação jornalismo no estado tem institucionalizado um estereótipo na sociedade. “Antecedentes criminais causam o julgamento, se a pessoa deve ou não morrer”, afirmou. A linha tênue entre o que se deve ou não perguntar em casos de homicídios, tem gerado erros praticados pelos profissionais, segundo ela.

Outra debatedora do seminário, Gildene Barbosa, moradora da comunidade no Edson Queiroz e mãe de jovem vítima de homicídio há 8 anos, relatou que muitas vezes as mulheres mortas na cidade não têm envolvimento com o crime. São mães, irmãs, mulheres ou amigas de jovens que têm. Ela explicou que muitas morrem por não ter liberdade de transitar no próprio bairro, consequência da rivalidade entre as facções que delimitam territórios. Gildene destacou ainda que sua realidade na periferia é ser julgada diariamente pelos atos de seu filho e ser taxada com a mãe de assaltante assassinado. “Ser mulher na periferia é nunca ser ouvida, sempre ser julgada”, lamentou.

Convidada do evento, Ângela Pinheiro, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e articuladora do Movimento Cada Vida Importa, ressaltou a importância de debater o tema em um ambiente acadêmico. “O assunto está em nossa realidade, mas por vezes, é esquecido ou negado por nós”. Ela se considera uma “trincadora de muros” por usar a voz como ferramenta de combate às questões sociais. “Quero manter minha capacidade de me indignar e agir dentro e fora das universidades”, enfatizou.

Já a jornalista Tamara Lopes, professora no Cuca Barra, também participante, entende que por meio dos cursos de fotografia que ministra, faz com que meninas da periferia se empoderem na frente e por trás das câmeras. Para ela, o diálogo sobre o assunto é extremamente necessário.

Karine Araújo, estagiária no Museu de Fotografia Fortaleza, complementou a fala de Tamara reforçando que tenta reagir ao crescente número de assassinatos das jovens de sua mesma faixa etária por meio da arte, empoderando mais adolescentes. Ela também questionou o fato da mulher da periferia ser sempre vista como objeto de pesquisa e não como a pesquisadora. “A luta é mais que resistir. É tentar existir”, afirmou.

E o aluno de Jornalismo, Gabriel Barbosa, morador da Barra do Ceará, lembrou as condições em que ele cresceu no bairro e a falta de assistência do poder público nas comunidades carentes. “Apesar de homem e não sofrer o que vocês (mulheres) sofrem, eu conheço a realidade de lá e a vivo todo dia”, finalizou o estudante.

TEXTO: Vitória Barbosa (2º semestre – Jornalismo/UNI7)
FOTO: Giovanna Rodrigues

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