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REINTEGRAÇÃO SOCIAL: Documentário de ex-aluna da FA7 ilustra situação de presidiários estrangeiros

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O documentário “Caminho da Volta”, dirigido pela jornalista Rosana Gurgel, foi exibido antes da palestra com o teólogo Cornelius Ezeokeke, nigeriano egresso do sistema penal brasileiro

O teólogo nigeriano Cornelius Ezeokeke narra a sua experiência como egresso do sistema penal brasileiro (Foto: Tarcísio Feijó)

O teólogo nigeriano Cornelius Ezeokeke narra a sua experiência como egresso do sistema penal brasileiro (Foto: Tarcísio Feijó)

“Somos tratados pior do que lixo. Quer dizer, menos do que isso, porque lixo pode ser reciclado”, reflete, com repulsa, o teólogo Cornelius Ezeokeke, egresso do sistema penal brasileiro, encarcerado duas vezes por um crime que não teve intenção de cometer.

O teólogo relatou sua difícil experiência em palestra no auditório do 2º andar da Faculdade 7 de Setembro (FA7), na noite de segunda-feira, 5 de maio, acompanhado da jornalista e ex-aluna da Fa7, Rosana Gurgel, do coordenador do programa Celebrando Restauração, Nelson Roberto Massambani, e do também ativista do movimento de ressocialização, Rafael Albuquerque.

Antes de dar início ao seu relato, porém, foi exibido o documentário “Caminho da Volta”, produto monográfico de Rosana Gurgel enquanto concludente do curso de jornalismo da instituição, que retrata a história de cinco estrangeiras do Instituto Penal Feminino Auri Moura Costa. O vídeo, reduzido a poucos minutos, ilustrou a realidade de centenas de presidiários que lutam cotidianamente para se inserir no contexto social do país em que, por desencontros do destino, habitam atualmente.

Cornelius conta que sua vontade de vencer e de superar o trágico engano que o levou a ser julgado como traficante internacional de drogas, teve início quando constituiu família com uma companheira de cárcere. Quando soltos, os dois, com uma filha, buscaram reintegrar-se socialmente no país assim que deixaram a realidade escura do presídio, mas não conseguiram. Pelo contrário: foram formalmente convidados a sair do país.

O teólogo Cornelius Ezeokeke e a jornalista Rosana Gurgel (Foto: Arquivo Pessoal/Rosana Gurgel/Facebook)

O teólogo Cornelius Ezeokeke e a jornalista Rosana Gurgel (Foto: Arquivo Pessoal/Rosana Gurgel/Facebook)

Desesperado por dar uma chance de viver sob condições decentes à sua família, Cornelius acabou sendo enganado mais uma vez por outro charlatão e, ao chegar a solo cearense com porte de drogas, foi preso no ato e condenado a 12 anos. Foi em seu segundo calabouço que, finalmente, o teólogo entendeu como poderia mudar de vida: “Quando eu percebi a importância da educação”, conta. O conhecimento foi, portanto, a válvula de escape de Cornelius. Literalmente.

Ainda na cadeia, o nigeriano cursou o 1º e o 2º grau. Quando se sentiu mais confiante, mandou cartas para diferentes universidades próximas, mas só uma respondeu: a Faculdade Católica de Fortaleza, que permitiu que Cornelius cursasse o ensino superior no presídio. “A sociedade merece o preso que tem”, destaca o teólogo, que afirma ser estrita culpa da sociedade o aumento da violência, visto que não cede espaço àqueles que erraram mas que, hoje, tentam, aos trancos e barrancos, mudar suas próprias realidades.

Falando em exclusão social…

A jornalista Rosana Gurgel também esteve na FA7 no mês passado, no dia 16 de abril, quando lançou o seu segundo documentário: “Por Trás das Cortinas”. O filme narra o cotidiano daqueles que compõem o Circo Moscow e mostra as dificuldades de disseminar a cultura circense em uma sociedade cada vez mais ocupada e impenetrável. “Antes, [o circo] era atração. Hoje em dia, não mais”, conta a jornalista.

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