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LÁBIO LEPORINO: Limitações, causas e especificidades da Fissura Palatal

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Segundo o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, da Universidade de São Paulo (USP), a dimensão de crianças que nascem com fissuras no Brasil é de uma para cada 650 nascimentos

Guilherme Macedo, filho da vice-presidente da ABF, Larissa Macedo, com foto de quando era recém-nascido

Também conhecido por fissura lábio palatal e/ou fissura labial, o lábio leporino é uma má formação congênita ocorrida quando o céu da boca e lábio não se unem adequadamente. Esse fenômeno acontece entre a quarta e a décima semana da gravidez, período em que a face do feto já deveria estar em altos níveis de formação. Em algumas situações, o diagnóstico pode ser dado por meio da ultrassonografia na 20ª semana em diante. Contudo, alguns obstetras sugerem o ultrassom morfológico, para obter um diagnóstico mais rápido e preciso sobre a saúde do feto a partir da 28ª semana de gestação.

No Brasil, existem aproximadamente 28 hospitais especializados no atendimento e tratamento de crianças com lábio leporino, sendo o Ceará um dos estados reconhecidos no acolhimento e tratamento gratuito de crianças com essas deformidades por meio do Hospital Infantil Albert Sabin. Os pacientes com as fissuras são encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o Hospital Alberto Sabin desde os primeiros dias de nascidas, recebendo suporte gratuito necessário até atingir os 18 anos de idade. Os pacientes são acolhidos e acompanhados por uma equipe multiprofissional, que inclui fonoaudiólogos, pediatras, psicólogos, assistentes sociais, cirurgiões plásticos, dentistas e geneticista.

O hospital infantil realiza mensalmente 36 procedimentos cirúrgicos de lábio leporino, totalizando 432 cirurgias ao ano, recebendo mais entradas de pacientes vindo da cidade de Russas (até o final da produção desta reportagem não foram esclarecido os motivos). Segundo a Secretaria Municipal de Fortaleza (SESA), a fila para correção do lábio leporino teve a demanda diminuída em 2017, e espera reduzida em 2018, devido às missões de intervenção cirúrgicas e à parceria com a Operação Sorriso, presente no Brasil desde 1997.

É uma das maiores organizações médicas voluntárias do mundo na realização de operações gratuitas de crianças e adultos com deformidades faciais. Recentemente, o foco maior dos profissionais que compõem o Hospital Infantil e a Operação Sorriso é a realização de mais procedimentos cirúrgicos de enxerto ósseo.

Profissionais especializados em lábio leporino e lábio palatino realizam procedimento de correção em um paciente

Os tipos de lábio leporino variam desde uma pequena ruptura no lábio superior à total separação nos dois lados do lábio, chegando ao nariz, gengiva e ao céu da boca. A classificação de fissura mais utilizada no Brasil é a de Spina. “A classificação de Spina baseia-se no forame incisivo que fica entre o dente inserido no osso maxilar, mais precisamente na região anterior da maxila, pois este constitui a junção do palato primário (pró-lábio, pré-maxila e septo cartilaginoso) e palato secundário (palato duro e mole). Portanto, as fissuras anteriores ao forame incisivo, como o lábio, nariz e rebordo alveolar são chamadas de pré forame; aquelas que acometem somente a região posterior, ou seja, quando o paciente não tem fissura de lábio, somente no céu da boca, chamamos de pós-forame; e aquelas que o paciente apresenta fissura no lábio e palato chamamos de trans-forame”, esclarece o cirurgião bucomaxilofacial, Assis Medeiros.

A classificação do tipo de fissura que a criança possui é diagnosticada ainda no nascimento. É a partir desta distinção que será aplicado o tipo de tratamento adequado. “Geralmente o primeiro atendimento do paciente em relação ao tratamento cirúrgico é o fechamento da fissura labial e correção da deformidade nasal, realizada a partir dos oito meses a um ano de idade. A segunda fase cirúrgica é a palatoplastia, que é o fechamento no céu da boca, que ocorre por volta de um ano e meio a dois anos de idade, quando o paciente começa a pronunciar as primeiras palavras. A terceira fase cirúrgica é o enxerto ósseo alveolar, em casos da falta de estrutura óssea próxima à gengiva, o procedimento consiste em um enxerto ósseo na região que não tem”, explica Assis Medeiros.

“A criança fissurada não pode ser amamentada de forma alguma deitada” Larissa Macedo, 33

Ainda não existem definições conclusivas sobre o que ocasiona o lábio leporino durante a gestação. Mas evidências indicam que uma parcela dos casos tem relação direta com a hereditariedade, através da pré-disposição genética. Outro fator considerado é também o resultado das deformações congênitas, deficiências nutricionais, fatores ambientais, ausência de ácido fólico, infecções maternas durante a gravidez (rubéola, toxoplasmose e herpes) e o uso de determinados medicamentos. Consumo do álcool, cigarro e outras drogas também podem ser fatores de risco.

As restrições de uma criança fissurada começam desde o nascimento, pois ela encontra barreiras para uma amamentação tranquila, por não conseguir fazer a sucção naturalmente. Em casos de crianças prematuras, é necessária a intervenção de uma sonda. “A criança fissurada não pode ser amamentada de forma alguma deitada. A criança logo que nasce precisa ser alimentada de forma ereta, meio sentadinha, para não ter o perigo de engasgo”, orienta Larissa Macedo, vice-presidente da Associação Beija Flor, instituição sem fins lucrativos, especializada em tratar crianças e adultos com lábio leporino em Fortaleza.

Parceria amiga no tratamento de fissuras no Ceará

Vice-presidente da ABF, Larissa Macedo, e a fonoaudióloga Alyne Lacerda

A Associação Beija Flor (ABF) é uma entidade sem fins lucrativos aliada do Hospital Infantil Albert Sabin nesse processo de acompanhamento de crianças, adolescentes e até adultos com lábio leporino e lábio palatino desde 2001. Como o hospital se responsabiliza por acompanhar o paciente, até este completar seus 18 anos, após atingir a maior idade os pacientes buscam suporte em seu tratamento na Associação.

“Operações craniofaciais gratuitas ajudam a diminuir a demanda cirúrgica” Larissa Macedo

“A ABF nasceu dessa necessidade de um suporte de apoio para ajudar a suprir as necessidades de uma demanda excessiva de casos de fissuras no estado, sendo hoje uma das grandes parceiras”, afirma a vice-presidente da Associação Beija Flor, Larissa Macedo. “Os profissionais responsáveis por realizar campanhas de operações craniofaciais gratuitas ajudam a diminuir a demanda cirúrgica desses casos; porém, esses profissionais fazem as cirurgias e vão embora, deixando todo o tratamento pós-cirúrgico multidisciplinar para o hospital e consequentemente para a associação”, acrescenta Larissa Macedo.

Atualmente a Associação Beija Flor faz mais de 250 atendimentos por mês com pacientes de todo o Ceará e até mesmo de outros estados. Para tanto, conta com uma estrutura de profissionais multidisciplinares, especializados em deformidades craniofaciais.

Serviço:
Hospital Infantil Albert Sabin
Endereço: R. Tertuliano Sales, 544 – Vila União, Fortaleza – CE, 60410-794
Horário: aberto 24 horas
Telefone: (85) 3101-4200
Facebook: Hospital Infantil Albert Sabin

Associação Beija Flor
Endereço: Av. Alberto Craveiro, 2222 – Castelão
Telefone: 85) 3295.0812
Horário: Seg a Sex, das 8h às 17h
Instagram: @associacaobeijaflor
Facebook: Associação Beija-Flor Funface

Texto: Talita Chaves (6º semestre – Jornalismo/UNI7)
Fotos: arquivo ABF

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