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ADEUS MACHISMO: Amantes do futebol, torcedoras criam e movem campanhas

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Trabalho árduo com os lemas resistência e empoderamento, dando as mãos para irem juntas aos estádios, mulheres enfrentam preconceitos para dar fim aos assédios

Torcida feminina em ação social na Praça do Ferreira, em 27 de agosto de 2017 / Arquivo Torcedoras do Leão

Elas estão lutando por direito igualitário. O grupo Torcedoras do Leão, dedicado ao Fortaleza Esporte Clube, foi formado após um evento realizado na Capital, pelo movimento Mulheres de Arquibancada. Para reconhecimento do público feminino em jogos de futebol, as torcedoras do Fortaleza, reuniram-se para discutir propostas visando a diminuir o machismo e os assédios dentro e fora dos estádios.

A formação do Movimento de Arquibancada do Estado do Ceará (MDACE) teve início com uma ação social realizada em prol de pessoas em situação de rua na Praça do Ferreira, em 27 de agosto de 2017, com distribuição de lanches, produtos de higiene, roupas e água. No dia, compareceram as torcidas femininas do Ferroviário, do Fortaleza e do Ceará. Durante a atividade, torcedoras do Fortaleza perceberam que houve grande número na ação e no dia seguinte foi criado o Torcedoras do Leão.

O grupo é composto por mulheres de torcidas organizadas, de movimentos e também de torcedoras “comuns”, que não fazem parte de qualquer outro grupo. Como afirmou Audrey Oliveira, 40, integrante do Torcedoras do Leão, “o intuito do coletivo não é de retirar as mulheres das torcidas e dos movimentos e, sim, de agregar.”

A campanha Estádio Sem Medo foi desenvolvida pelo Torcedoras do Leão, para que elas não tenham medo de ir ao estádio e lutem contra discriminações e assédios. Além de agregar mais integrantes para o coletivo, a campanha faz com que mais mulheres frequentem os jogos do Fortaleza e conquistem seu lugar, ocupando as arquibancadas.

Segundo encontro nacional de mulheres de arquibancada

II Encontro Nacional do MDA que aconteceu em Fortaleza, 11 de agosto de 2018 / Arquivo Mulheres de Arquibancada

A ideia do movimento nasceu de ações reais de episódios pessoais das integrantes, unindo mulheres tanto de torcidas organizadas quanto de movimentos dos clubes. Com o segundo encontro nacional do movimento, realizado no dia 11 de agosto deste ano, em Fortaleza, torcedoras de diferentes clubes brasileiros debateram ideias para se defenderem de assédios nas arenas e nos cargos profissionais na área esportiva.

“A profissão de uma mulher dentro do meio esportivo é muito complicada. Isso vale para a menina que narra, repórter, para as jogadoras de futebol. Você vê que elas não têm o reconhecimento que deveriam ter e para nós torcedoras, é aquilo, é uma luta constante. Na verdade, é uma luta para reavermos um espaço que já foi nosso”, declara Kiti Abreu, 31, fundadora e conselheira do Mulheres de Arquibancada.

O encontro também apresentou o progresso de ideias que foram discutidas no primeiro evento e recolheu novas propostas. “Outras propostas surgiram, inclusive dada por uma menina do Fortaleza, de criar uma comissão da mulher dentro do movimento, para receber denúncias de assédio, de abuso policial e de encaminhar essas denúncias ao Ministério Público. Apesar deles verem as torcidas como marginais, ainda é uma maneira de pedir socorro”, relatou Kiti Abreu.

Da esquerda para a direita Nanda, May, Elise e Kiti, equipe responsável pelos encontros do Mulheres de Arquibancada / Arquivo Mulheres de Arquibancada

TEXTO: Ingrid Kobayashi (3º semestre-Jornalismo/UNI7)

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