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TABACO: O que comemorar no Dia Mundial de Combate ao Fumo

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Consumo de cigarro e similares podem gerar vários tipos de cânceres

O Dia Mundial de Combate ao Fumo é celebrado nesta segunda-feira(31). A data foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com intuito de alertar a sociedade sobre os riscos do cigarro e do tabagismo para a saúde.De acordo com a OMS,o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano e mais de 7 milhões dessas mortes resultam do uso direto do tabaco, enquanto cerca de 1,2 milhão são mortes de não-fumantes, expostos ao fumo passivo. Ainda de acordo com a OMS, cerca de 80% dos mais de um bilhão de fumantes do mundo vivem em países de baixa e média renda onde as doenças e mortes relacionadas ao tabaco são maiores.
O número de mortes por tabagismo é de causar espanto. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 443 pessoas morrem a cada dia por causa do tabagismo no Brasil. O custo dos danos produzidos pelo cigarro no sistema de saúde e na economia chega a R$ 125.148 bilhões. Quanto às mortes anuais atribuíveis ao tabagismo: 37.686 correspondem à Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), 33.179 à doenças cardíacas, 25.683 a outros cânceres, 24.443 ao câncer de pulmão, 18.620 ao tabagismo passivo e outras causas, 12.201 à pneumonia e 10.041 ao
acidente vascular cerebral (AVC).
Ainda de acordo com o INCA, em 2019, o Brasil registrou cerca de 31,2 mil novos casos de câncer de pulmão por tabagismo. Assim, 12,6% de todas as mortes registradas no país são atribuíveis ao tabaco. Nos casos mais graves, o tabagismo pode ocasionar o câncer de boca e a doença periodontal (gengiva), além de modificar o paladar, o olfato
e ainda causar mau hálito. Apesar dos dados negativos, o Brasil vem sendo referência para o controle de tabaco, e por aqui o consumo está em queda desde a década de 1990. Em 2006, os fumantes eram 15,6% da população, de acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).Segundo pesquisa feita em 2019 pelo Ministério da Saúde, 9,3% dos brasileiros afirmaram ser fumantes em 2018.

O que é o Tabaco?
O tabaco é uma planta cujo nome científico é Nicotiana tabacum. Suas folhas são utilizadas na confecção de diversos produtos que têm como princípio ativo a nicotina, substância que causa dependência. Muitos são os produtos derivados de tabaco: cigarro, charuto e cachimbo são três deles. No Brasil, a Resolução da Diretoria Colegiada n.º 46 de 2009, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), proíbe a comercialização, a importação e a propaganda de quaisquer dispositivos eletrônicos para fumar. O tabaco fumado em qualquer uma de suas formas causa a maior parte de todos os cânceres de pulmão e contribui de forma significativa para acidentes cerebrovasculares e ataques cardíacos mortais.

Vício
A nicotina é a substância responsável por causar vício nos usuários de tabaco. Seu consumo causa aumento da pressão, dos batimentos cardíacos e da frequência respiratória, além de causar redução do apetite e amarelamento dos dentes. Atenta aos prejuízos do tabagismo, a doutora Liana Castro Alves, médica psiquiatra residente em Fortaleza, dividiu sua percepção sobre o assunto. Questionada sobre o fator viciante da nicotina, a psiquiatra fala que a nicotina libera uma sensação de prazer: “Quando inalada, a nicotina atinge o cérebro rapidamente, em torno de 10 a 20 segundos. Ao chegar lá, ela funciona como uma chave que se encaixa em fechaduras chamadas de receptores nicotínicos. Ao “abrir” a porta, permite a passagem de vários neurotransmissores relacionados ao bem-estar e ao prazer. Daí o porquê se torna “gostoso” fumar.”
A psiquiatra ressalta que não são apenas os fatores biológicos que contribuem para uma situação de dependência. O aprendizado e a memória também são fatores determinantes: “ “é importante lembrar que, em se tratando de cigarros, não só os fatores biológicos contribuem para a dependência, mas também o aprendizado e a memória. O nosso comportamento influencia as conexões que o nosso cérebro faz. Após algum tempo de uso frequente, “gatilhos” como determinadas pessoas, eventos, contextos, acionam essa vontade de usar. Ela também comentou da relação do
tabagismo com a depressão: “O tabagismo e a depressão compartilham alguns fatores de risco em comum, como presença de um transtorno mental, desemprego, sobrecarga no trabalho e outros fatores ligados a estresse, concluiu a médica psiquiatra. Dra. Liana diz que há associação entre sintomas depressivos e ansiosos. Para ela é no tabagismo que muitas pessoas buscam aliviar os sintomas da depressão. De acordo com a psiquiatra, o fumo traz a sensação transitória de relaxamento e prazer na maioria dos casos: “Essa forma de uso aumenta a chance de vício e não trata
propriamente os sintomas depressivos, apenas mascara-os por um curto período, o que pode levar ao retardamento do início do tratamento e até à cronificação dos sintomas depressivos” Quem também conversou sobre o assunto foi o médico psiquiatra Arthur Muniz, que falou sobre quais medicações são aconselhadas para um indivíduo que está em tratamento contra o vício em tabaco : “O tratamento farmacológico da dependência de nicotina envolve medicações que agem na redução da fissura (vontade intensa de fazer
uso do cigarro) e do efeito reforçador da substância. O médico afirma que existem duas categorias de medicamentos, os nicotínicos e os não nicotínicos: “ Existem os nicotínicos, como adesivos e gomas de nicotina, e não nicotínicos, como a bupropiona e vareniclina.
O psiquiatra salienta a importância do tratamento farmacológico ser acompanhado de um tratamento psicológico e de grupos de apoio: “É importante entender que o tratamento farmacológico é apenas uma das abordagens da dependência de niconita, sendo necessário, muitas vezes, acompanhamento conjunto com psicólogo(a) e participação em grupos de apoio.” O tratamento pode ser um caminho longo e muitas vezes o paciente não consegue superar o vício na primeira tentativa. O psiquiatra Arthur Muniz defende que o tratamento da pessoa com dependência química é complexo e envolve uma abordagem personalizada para cada indivíduo: “É importante entendermos quais os objetivos da pessoa, se a intenção é suspender totalmente ou apenas reduzir e controlar o uso, como é o suporte social e familiar de cada um, qual o tratamento medicamentoso e não medicamentoso que melhor se adequa a suas necessidades, entre outros.”
O médico afirma que o apoio familiar e da equipe médica é fator essencial :”É necessário que essa pessoa seja acolhida pela família e profissionais da saúde, com escuta sem julgamento e com oferta de suporte.”
Em Fortaleza, as pessoas que estejam procurando tratamento para superar o tabagismo podem consegui-lo através de uma das 54 unidades básicas da Secretaria Municipal da Saúde, onde os fumantes podem se inscrever para o Programa de Combate ao Tabagismo.

Dra Liana Castro, psiquiatra

Indústria do Tabaco
A primeira máquina de enrolar cigarros do mundo foi criada pelo americano James Albert Bonsack,em 1880 . O invento foi capaz de fabricar 100 mil unidades por dia. Segundo o Atlas do Tabaco, da American Cancer Society, a indústria que nasceu desse invento fatura cerca de US $500 bilhões por ano vendendo 6 trilhões de cigarros — formato de 96% do tabaco produzido no mundo. O tabaco matou 100 milhões de pessoas no século XX e pode vir a matar 1 bilhão de pessoas no século XXI, de acordo com dados da OMS.

Luta contra o Tabaco
Em 2007, a Organização Mundial de Saúde (OMS) ratificou sua primeira convenção internacional: a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco. Ela orienta a implementação de medidas já testadas com sucesso, como áreas livres de fumo, restrições de propaganda e advertências sobre os males do tabaco. Mais de 170 países assinaram o tratado, mas a maioria está longe de seguir as recomendações. O número de fumantes ainda cresce, e a OMS estima que pode pular de 1,3 bilhão para 1,5 bilhão até 2025 se as medidas de controle não forem globalizadas.
No Brasil, foi fundado em 2011 pela equipe da Secretaria-Executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) , o Observatório da Política Nacional de Controle do Tabaco.IInstalada no Instituto Nacional de Câncer (INCA), tem como objetivo pesquisar, coletar, reunir, organizar, monitorar e disponibilizar informações e conhecimentos atualizados sobre a implementação da Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde para o Controle do Tabaco no Brasil. A Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Controle do Tabaco é o primeiro tratado internacional de saúde pública da história e visa conter a epidemia do tabagismo em todo o mundo. Com a ratificação do tratado pelo Brasil em 2005, sua implementação nacional ganhou o status de Política de Estado e o cumprimento de suas medidas e diretrizes tornou-se uma obrigação legal do Governo brasileiro.

Tabaco e Covid-19
Reconhecida como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina, o tabagismo é, de acordo com o INCA, o maior fator de risco evitável de adoecimento e morte no mundo e o hábito de fumar acarreta em maior risco de desenvolver sintomas graves caso seja contaminado pelo novo coronavírus. Os riscos do tabagismo também estão relacionados ao contágio, pois o ato de fumar proporciona constante contato dos dedos (e possivelmente de cigarros contaminados) com os lábios, aumentando a possibilidade da transmissão do vírus para a boca. O uso de produtos que envolvem compartilhamento de bocais para inalar a fumaça — como narguilé (cachimbo d´água) e dispositivos eletrônicos para fumar (cigarros eletrônicos e cigarros de tabaco aquecido), — pode facilitar a transmissão do coronavírus. Há ainda o tabagismo passivo (não fumantes que convivem com fumantes na mesma casa ou em outros ambientes), que aumenta o risco de infecções respiratórias agudas.

Texto: Cesar Rodrigues  (3° semestre -Jornalismo/UNI7) 

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