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PRIMEIRA PAUTA: Relação neto, avô e o ciclo da vida

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Crônicas, Uni7 Informa

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Felipe é um jovem que ama a liberdade e, no auge de sua juventude, ele quer curtir sua vida, sem preocupações. A pandemia e o isolamento o fizeram refletir sobre a existência humana e o quanto vale uma vida. Após todos os dias vendo as mortes na televisão, sua conclusão foi de que, pelo menos nesse momento, valeria a pena perder toda sua liberdade, vivendo seis meses somente com o contato de seus pais, para ter um futuro melhor, pois teria a longevidade pela frente para aproveitar.

Felipe, porém, tem uma grande preocupação. Uma pessoa em sua vida, que ele ama muito, por sua vez, não tem uma vida toda pela frente. Seu avô Renato, de 90 anos, um senhor debilitado pela idade e componente do grupo de risco diante do novo coronavírus. O medo de perder seu vô, fez com que a pandemia ficasse ainda mais tensa para o jovem. As ligações foram constantes durante todos os 182 dias de isolamento, com vários planos sendo marcados, até a sagrada pescaria de domingo. O tempo foi passando e até que enfim a pandemia acabou.

O jovem abriu seu portão e deu de cara com o mundo. Depois de um longo tempo preso em sua casa, saiu andando pelas ruas observando cada detalhe, como nunca fez na vida. Sua única certeza agora é de que nunca mais verá o universo da mesma forma: desde as flores no chão até a senhora comprando pão serão diferentes para ele.

Felipe anda mais um pouco e chega à rua de seu avô. O destino quis que Renato estivesse saindo de casa, para varrer sua calçada depois de meses. Então o reencontro acontece. Felipe abraça seu avô e lhe diz que o medo que ele viesse a morrer foi constante e de que as histórias, contadas em sua infância, nunca mais fossem contadas novamente. Depois veio um pedido de desculpas, por nunca ter sido um neto presente depois a adolescência. Falou que se perdesse seu avô, sem ao menos mais um abraço ou conversar, nunca iria se perdoar. Renato lhe diz que entende e que sempre sentiu falta do neto, e que esse período vivido serviu de lição para ele amar ainda mais as pessoas próximas, e cultivar com elas seus últimos momentos de vida, pois a idade chegou para ele.

Os dois sentam ali mesmo, no chão da calçada, e prometem curtir tudo que puderem juntos, nessa troca de aprendizado, recíproca, daqui para frente. Comentam sobre a pescaria marcada, o churrasco e, principalmente, de como vale a pena viver e ser feliz ao lado de quem ama. E ainda de como os momentos são importantes, sendo preciso aproveitá-los, pois a qualquer momento podem acabar, como aconteceu para várias famílias.

Texto: Enzio José (3º semestre – Jornalismo/UNI7)

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