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Outubro Rosa: Prevenção e Conscientização

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A prevenção ainda é a melhor arma contra o câncer de mama. Confira abaixo como a campanha Outubro Rosa colabora com essa proposta.

O mês de outubro tornou-se sinônimo de combate ao câncer de mama. No Brasil desde 2002, a campanha Outubro Rosa busca trazer informações sobre esse tipo de câncer e as possíveis formas de evitá-lo. Em 2020, o movimento traz uma novidade: a campanha “Quanto antes, melhor”, promovida pela Sociedade Brasileira de Mastologia. O NPJor (Núcleo de Práticas Jornalísticas da UNI7), entrevistou a mastologista Lina Araújo. Na pauta, a médica tirou dúvidas acerca do tema, falou sobre o impacto da pandemia para o movimento e trouxe informações relevantes sobre o câncer de mama, como o auto exame, a prevenção e o diagnóstico.

César Rodrigues: Dra. qual a importância do Outubro Rosa para a mulher?
Dra. Lina Araújo:
O Outubro Rosa é uma campanha que, no Brasil, é promovida pela Sociedade Brasileira de Mastologia e vem para lembrar a mulher sobre o câncer de mama. Nós, mastologistas, notamos um aumento no número das consultas em Outubro. Mas o ideal é que a mulher lembrasse isso o ano inteiro. O câncer de mama é a neoplasia mais incidente entre as mulheres no mundo todo. E esse ano a Sociedade Brasileira de Mastologia lançou a campanha “Quanto antes, melhor” . Ou seja, o quanto antes você tiver hábitos saudáveis de vida, praticar exercícios físicos e consultar um mastologista, você terá uma antecipação do prognóstico.

C. R. De que forma a mulher pode conseguir acesso ao exame de mama?
Dra. Lina Araújo:
Esse exame é realizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, (SUS), a partir dos 50 até os 69 anos de idade. Na rede privada, nós conseguimos fazer esse exame a partir dos 20 anos porque é preconizado pela Sociedade Brasileira de Mastologia. Interessante notar a discordância entre o Ministério da Saúde, através do SUS, que recomenda só a partir dos 50 anos e a sociedade que faço parte (Sociedade Brasileira de Mastologia), que recomenda o exame para pessoas um pouco mais jovens, a partir dos 40. No estudo científico intitulado “ Amazonas”, é apontado que 30% do casos ocorre em mulheres na faixa etária dos 40 anos. Daí a importância de antecipar o exame para uma idade mais precoce. Normalmente a Organização Mundial de Saúde (OMS), preconiza que 70% das mulheres de 50 a 69 façam uma mamografia por ano. Aqui no Brasil, no SUS, isso é um pouco complicado. Nos anos anteriores a gente só conseguiu a cobertura de 20% de mamografias nessa faixa etária. E, nesse ano, devido à pandemia, tivemos uma cobertura ainda menor. No estado do Ceará, essa cobertura foi por volta de 11%. Isso porque houve uma diminuição significante no número de procuras pelo exame entre os meses de janeiro e julho de 2020.

C. R. Quais as principais dificuldades encontradas pela mulher que está solicitando um exame de mama?
Dra. Lina Araujo: Às vezes as pessoas acham que há um número insuficiente de mamógrafos. Mas não é isso. Existem muitos mamógrafos no Brasil. Acontece que eles estão distribuídos de forma irregular. Estão muito concentrados nas capitais, nas grandes cidades e nas regiões sul e sudeste. O que também dificulta um pouco são as pacientes oriundas de lugares mais longínquos conseguirem fazer o exame. Pode acontecer a falta de manutenção das máquinas, falta de técnico para manuseio ou a falta de radiologista para emitir o laudo. Mas não há falta de máquinas. No mês de outubro, a oferta costuma dobrar.

C. R. Quais seriam os sinais de alerta para o câncer de mama?E como preveni-lo?
Dra. Lina Araújo:
Prevenção é tentar não ter a doença. O câncer acontece devido a fatores internos e externos. Então ele não está completamente sobre o controle da pessoa. Mas o que pode ser feito para diminuir a chance de ter o câncer de mama ou qualquer outro? Atividade física regular. A OMS preconiza 30 min. diários durante cinco dias da semana. E com essa atividade física leve você consegue diminuir em 14% as chances de ter câncer de mama. Em uma atividade física mais rigorosa você consegue uma redução de até 25%. Hoje, quase 20% dos casos de câncer de mama são devido à obesidade e ao sobrepeso. Reduções modestas no peso já possuem influência no risco. Então a prevenção passa pelo estilo de vida. Hoje também sabemos que o câncer de mama possui maior incidência entre mulheres mais jovens, possivelmente pelo estilo de vida da mulher contemporânea: Menos filhos, preferem deixar para ter o primeiro filho mais tarde, às vezes a amamentação ocorre em um tempo curto, a mulher bebe mais hoje em dia, além da própria expectativa de vida. O câncer, de forma geral, é mais comum em pessoas idosas. Então, quanto mais a pessoa vive, maior será a incidência de câncer. Mas para prevenir, é o estilo de vida, ter hábitos saudáveis.

C. R. Se o câncer for diagnosticado, quais as medidas devem ser tomadas?
Dra. Lina Araújo:
Antigamente se fazia uma campanha em cima do auto-exame. Ele é importante para a mulher se conhecer, mas na maioria dos países ele não é mais recomendado. O auto-exame só conseguirá diagnosticar o câncer quando o nódulo tiver entre 2 cm e 2,5 cm, ou quando ele está mais avançado. Então, o importante mesmo para rastrear o câncer bem no início é a mamografia. Uma vez diagnosticado, a paciente deve procurar um ginecologista ou mastologista e esse deve fazer uma biópsia do nódulo porque a mamografia levanta apenas a suspeita. A partir daí, temos um enorme arsenal terapêutico: tratamento com cirurgia, quimioterapia, terapia-alvo, hormonioterapia, entre outros. E quanto mais cedo se descobre o câncer, mais leve tende a ser o tratamento.

C. R. Com a pandemia do Coronavírus, como o Estado do Ceará se coloca nesse cenário?
Dra. Lina Araújo:
Ainda não temos dados específicos sobre o Ceará. Mas, percebemos, que após o lockdown, houve um retorno maior de pacientes às consultas. Em meados de julho, mesmo com o atendimento aberto, as pacientes não procuravam ( a consulta). E têm surgido casos de câncer mais avançados: tumores grandes, às vezes já com metástase. Mas a realização do exame é muito importante.

C. R. Fortaleza está apta a atender essa demanda de exames?
Dra. Lina Araújo:
Sim! O primeiro contato da paciente é com o serviço primário, o médico do posto de saúde. Ele já pode pedir a mamografia e o ultrassom. E dando alguma alteração, ele pode encaminhar para um setor secundário ou terciário. Mas o primeiro contato, a porta de entrada, é o posto de saúde.

Mensagem da Dra Lina
“Primeiramente, eu gostaria de passar uma mensagem de esperança. Hoje, até mesmo quem tem câncer de mama com metástase consegue uma boa sobrevida, nós temos muitos tratamentos. Conseguimos dar para a paciente uma boa qualidade de vida e muitos anos de vida. E para aquela a partir dos 40 anos, que busca um tempo para procurar um mastologista, a consulta não costuma ser demorada. Na mamografia, o incômodo é suportável e somente uma vez ao ano. O ideal de conseguir um diagnóstico precoce é que o tratamento será menos agressivo. E é muito conscientizar para uma mudança no estilo de vida. Não adianta fazer várias mamografias para descobrir. Você precisa adotar um estilo de vida saudável para diminuir as suas chances de ter qualquer doença. Inclusive, câncer de mama. E preciso lembrar uma coisa importante! O homem também tem câncer de mama! É mais raro, ocorre numa idade mais tardia que a mulher, normalmente acima de 65 anos. São 100 casos de câncer de mama feminino para um caso masculino. Mas os homens têm que procurar também o exame caso sintam alguma alteração. Sou funcionária pública, médica do estado, e um dia entre tantas pacientes, havia um homem, que foi embora por ter se sentido constrangido diante de tantas mulheres olhando para ele. Então não tenham vergonha! Homem também tem mama. É menos desenvolvida, mas pode ter doenças. Procurem se necessário. Não precisa ser um exame de rotina, mas no caso de alguma alteração perceptiva, procure um médico”.

A estudante de jornalismo, Monike Lima, conduz o podcast com a presença da Dra. Lina Araújo e a Fisioterapeuta, que se curou do câncer de mama, Lorena Reis.

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