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FORMAÇÃO ACADÊMICA: Jéssica destaca aprendizagem profissional

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” Foi a minha oportunidade de sair do Brasil, minha oportunidade e de muita gente que não tem oportunidade de pagar um intercâmbio”, afirma Jéssica (Foto: Sarah Veloso)

A estudante do sexto semestre de Jornalismo Jéssica Farias, 22 anos, teve seu sonho realizado. Ela estudou durante 12 meses na Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, considerada a melhor escola de Jornalismo norte-americana. Nesse período a universitária trabalhou na ONG Alfred Friendly Press Partners, que tem como objetivo ajudar os jornalistas que moram em países com problemas de liberdade de expressão.

Em entrevista ao Quinto Andar, Jessica revelou ter planos em fazer futuramente um novo intercambio, desta vez durante a pós-graduação (mestrado).

Quinto Andar– Qual foi sua motivação para se candidatar ao Ciência sem Fronteiras?
Jéssica Farias: Sempre tive vontade de fazer intercâmbio. Já era uma vontade que tinha há anos e estava especialmente pensando em ir durante o período da faculdade, porque acredito que é importante para a minha formação acadêmica. Olhava os editais juntamente com a Angélica, quando ela acabou vendo que havia uma brecha no edital, na área de indústria criativa, foi aí que a gente acabou descobrindo que havia estudantes de outras áreas como Direito e Administração. Resolvi, então, arriscar e me inscrevi. Inclusive quando estava inscrita, o curso foi retirado. Fiquei com medo, mas como já havia me inscrito, não tinha como dar errado. Esse intercâmbio foi totalmente custeado pelo governo, não saiu nada do meu bolso. Foi a minha oportunidade de sair do Brasil, minha oportunidade e de muita gente que não tem oportunidade de pagar um intercâmbio.

Q.A– Como foi o processo de seleção?
J.F: Abriu o edital, me inscrevi e mandei os documentos. Fiz uma prova de proficiência de inglês para aprovar o meu nível e poder ir à universidade. Foi complicado porque o meu inglês não era tão bom assim. Tive que estudar bastante para fazer a prova. Também tive que pedir carta dos professores da faculdade para me recomendarem para a universidade estrangeira, porque lá eles priorizam muito isso, a questão da recomendação. Todos esses documentos foram reunidos para enviar para o Instituto de Educação Internacional, responsável por fazer o intermédio entre nós, estudantes, e a instituição do exterior. Eles encontraram essa universidade para mim, que foi a Universidade de Missouri, a melhor escola de Jornalismo dos Estados Unidos. Eles mandaram um documento para que eu pudesse confirmar todos os meus dados. Depois disso esperei mais ou menos um mês para a carta chegar com a notícia da minha aprovação.

Q.A– Em relação à hospedagem, você ficou em casa de alguma família, em alojamento da universidade ou em apartamento alugado?
J.F: Fiquei morando na universidade. Todas as pessoas em sua maioria moravam na universidade, porque normalmente no primeiro ano você vive dentro da universidade. Lá tem uma estrutura muito grande: dormitórios, refeitórios, complexo esportivo e hospital, uma pequena cidade. A vida gira em torno da universidade.

Jéssica estudou na melhor escola de Jornalismo dos EUA

Jéssica estudou na melhor escola de Jornalismo dos EUA

Q.A– Quanto ao inglês, você teve algum tipo de dificuldade? E preconceito, sentiu isso em algum momento?
J.F: Senti dificuldade, meu inglês não era avançado. Diria que era um básico para o intermediário. Tinha um bom desempenho acadêmico, então a única coisa que podia me impedir era o inglês. Então, dediquei o meu tempo praticamente inteiro para estudar inglês, durante três ou quatro meses. Nos EUA as pessoas falam muito mais rápido, usam gírias. Eu tinha um ritmo mais devagar. Quando cheguei, tive um pouco de dificuldade, não entendia até algumas coisas básicas. Muitas pessoas não tinham paciência. Eu mesma ficava chateada, pensava uma coisa em português e não conseguir desenvolver em inglês. Só peguei o ritmo depois de seis meses. Para assistir às aulas não tinha dificuldades, mas para conversar era mais complicado.

Q.A– Na ONG Alfred Friendly Press Partners, como foi sua experiência?
J.F: Consegui o contato por intermédio de uma pessoa que tinha trabalhado na ONG e que era minha amiga da universidade. Ela era brasileira também, acho que foi mais fácil por isso, porque eles já conheciam os brasileiros. O meu trabalho era mais restrito a atualizar o site, divulgar o programa nas redes sociais, fazer certificados e conseguir doações para a ONG. Foi muito bom. Aprendi a usar o Word Press, que, em minha opinião, todo jornalista deveria saber mexer.

Q.A– O que você trouxe na sua bagagem de volta?
J.F: Eu amadureci muito, fiquei mais independente. A primeira viagem que realizei foi para Chicago, sozinha, dois ou três meses que estava lá, dependendo totalmente de mim e do meu inglês para ir e voltar. Foi uma experiência muito positiva. Viajei sozinha e conheci muita gente. Nessa viagem descobri que tinha capacidade de me virar e de me comunicar em inglês e de ir para lugares que queria, só totalmente dependendo de mim. Foi uma experiência muito positiva, que me estimulou a fazer muitas viagens durante o intercâmbio. Para mim foi um ponto marcante. Eu realmente estava sozinha e não precisava de ninguém. Podia viver sozinha lá.

Q.A– E o futuro? Como pensa em viver e encarar os desafios daqui para frente?
J.F: A maioria das pessoas que faz o intercâmbio quer fazer outro ou viajar. Sempre tinha uma pretensão de fazer um doutorado ou um mestrado. Quero ver se consigo mais uma vez fazer outro intercâmbio, estudar fora de novo, quero ir para a Europa. Adiantei as disciplinas da faculdade para me formar mais rápido, no máximo até o ano que vem. Para isso, estou tentando pensar em uma tese de conclusão de curso que possa ser abordada tanto na minha graduação quanto no doutorado.

Daniel Costa
4º semestre

 

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