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FORMAÇÃO ACADÊMICA: Angélica faz planos para futuros desafios

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"Sempre quis estudar fora e já estava pensando em fazer algum tipo de intercâmbio, nem que fosse no mínimo para aperfeiçoar meu inglês", conta Angélica (Foto: Sarah Veloso)

“Sempre quis estudar fora e já estava pensando em fazer algum tipo de intercâmbio, nem que fosse no mínimo para aperfeiçoar meu inglês”, conta Angélica (Foto: Sarah Veloso)

Quando abriu uma brecha para estudantes de “indústria criativa” no Programa Ciência Sem Fronteiras, Angélica Oliveira, aluna de Jornalismo da FA7, não pensou duas vezes e decidiu se inscrever. Um ano depois, ela foi para os Estados Unidos, onde morou nove meses na Universidade de Hofstra, localizada em Hempstead e três meses em Manhattan, Nova York.

Em entrevista ao Quinto Andar, Angélica falou sobre os desafios de estudar, estagiar pela primeira vez em um país diferente e morar longe dos pais, convivendo com pessoas de diferentes nacionalidades e conhecendo outras culturas. A experiência foi tão positiva, que ela pretende e já tem planos concretos para tentar outra bolsa de mestrado ou doutorado e ganhar de novo mais conhecimento. A estudante ainda destacou as diferenças entre o telejornalismo feito aqui e lá.

Quinto Andar: O que lhe motivou a candidatar-se ao Ciência Sem Fronteiras?
Angélica Oliveira: Sempre quis estudar fora e já estava pensando em fazer algum tipo de intercâmbio, nem que fosse no mínimo para aperfeiçoar meu inglês. Quando descobri o Ciência Sem Fronteiras foi unir o útil ao agradável, porque sempre tive essa vontade de morar e estudar fora.

QA: Como foi o processo de seleção?
AO: Quando saiu o edital em agosto de 2012, tinha começado a me preparar um mês antes e comecei a estudar inglês. No processo de seleção, tinha que se inscrever no portal da CAPS, no portal do Ciência Sem Fronteiras e depois disso teria que apresentar alguns documentos: exame de proficiência em inglês, passaporte, inscrição numa instituição americana de educação, que eram quinze páginas de formulário, duas redações, uma dizendo quais eram seus objetivos de estudar lá, o que esse intercâmbio pode trazer de benefício para sua vida profissional e para o seu país… E a segunda era para dizer como o candidato iria aplicar isso quando voltasse ao Brasil, e mais uma mini redação de duzentas palavras para dizer seus planos de estudo. Tinha que apresentar também duas cartas de recomendação feitas por dois professores, que pedi aos professores Jari Vieira e Tiago Themudo. Além disso, tinha que preencher junto com esses professores e o coordenador Dilson Alexandre, mais três formulários que eram para marcar o meu nível.

QA: Como viu a oportunidade de estágio no exterior?
AO: Vi que seria muito bom para o meu currículo e crescimento profissional, porque nunca tinha estagiado em nada aqui e meu primeiro estágio foi logo como diretora de arte da revista da universidade. O outro estágio que fiz foi em uma editora e evolui muito também, porque tive um treinamento. Não foi simplesmente me jogar e fazer as atividades que me mandam. Lá, eles realmente preparam para o mercado de trabalho, não é que nem aqui que colocam os estagiários para fazer as tarefas que ninguém quer fazer. Achei isso muito interessante.

Angélica e a equipe que trabalhava na "Pulse Magazine", em que ela foi diretora de arte

Angélica e a equipe que trabalhava na “Pulse Magazine”, em que ela foi diretora de arte

QA: Como foi seu projeto?
AO: O portal da instituição de educação de lá tem parceria com o governo daqui. Disponibiliza vários parceiros que oferecem estágio para os bolsistas do Ciência Sem Fronteiras,. Então você tem que colocar seu currículo e uma carta se apresentando, dizendo quais são seus objetivos, suas habilidades, o que você tem a oferecer de bom para aquela empresa que você está se candidatando etc. Só que não consegui meu estágio por aí, consegui por meio de um professor, que me indicou para o presidente da empresa onde eu trabalhei. E o primeiro estágio, que foi na revista da universidade, estava cursando a disciplina de Produção de Revista e a professora falou que estavam com vagas disponíveis no quadro de funcionários da revista. Eu me candidatei sem a intenção de ocupar alguma vaga específica e acabei sendo diretora de arte.

QA: A universidade foi previamente escolhida? Quem indicou?
AO: Ninguém me indicou a universidade, pesquisei no site do Ciência Sem Fronteiras. Eles têm um mapa, com os bolsistas de todas as universidades do mundo. Fui pesquisando as universidades que tinham indústria criativa nos Estados Unidos. Comecei a ver quais eram as que tinham alunos de jornalismo já, porque o Ciência Sem Fronteiras nunca foi voltado para jornalismo e publicidade, era uma brecha que havia. Queria ver quais universidades havia e, ao todo, quarenta universidades aceitavam jornalismo ou publicidade. Queria uma que fosse na Costa Leste, que é perto de Nova York e Boston. Fui ver o ranking dessa universidade nos rankings americanos, entrei em contato com alunos que estudam lá, para saber como tinha sido o processo e como a universidade funcionava, até que cheguei às seis universidades finais que eu indiquei e felizmente fui para uma delas.

QA: E em relação à hospedagem, você ficou em casa de alguma família, em alojamento da universidade ou em apartamento alugado?
AO: Fiquei dentro da universidade, morei no campus universitário.

QA: E como o seu inglês foi avaliado? Teve algum tipo de dificuldade? E preconceito, sentiu isso em algum momento?
AO: A dificuldade que eu tive com o inglês foi no começo, por causa do medo. Eu já tinha apresentado o exame comprovando que falava inglês.
No dia que cheguei, houve uma palestra de manhã, quando eles disseram que a uma hora da tarde iria ter uma prova de inglês. Pensei “meu Deus do céu, mais quatro horas de prova”… Mas, foi tranquilo. Fiz a prova, que tinha redação, interpretação de texto e produção textual. Para receber o resultado, tinha que passar por uma entrevista em inglês, aí eu disse que não sabia falar inglês, que não entendia o que as pessoas estavam falando e era melhor pegar uma disciplina de inglês, para ajudar na faculdade. A mulher que me entrevistou perguntou “como disse que não falava inglês” se estava falando com ela? Foi por causa do susto, na primeira aula. O professor apresentou a ementa com doze trabalhos, e disse que toda semana ia ter uma prova, que a gente ia ter que ler um, dois capítulos… Olhei e pensei “eu não vou dar conta disso”. Foi porque estava insegura, pois havia ficado com um GPA muito alto, que é a nota do seu rendimento acadêmico. Fiquei com 3.92 e a nota máxima é 4.
E não sofri preconceito algum, pelo contrário. As pessoas perguntavam de onde eu era e quando falava Brasil, elas se empolgavam e perguntavam se eu sambava (risos).

Angélica e os mascotes da universidade em que estudou

Angélica e os mascotes da universidade em que estudou

QA: E trabalho? Já foi com indicação certa ou recebeu orientação lá?
AO: Recebi orientação lá. Porque é assim: você termina a graduação, faz os dois semestres, se conseguir o estágio, você fica até três meses. Se não conseguir, volta para o Brasil. Então, como a gente chegou lá em setembro, o governo já começou a nos orientar a procurar estágio, a cadastrar nosso currículo na página com banco de dados das empresas, a falar com os professores e ir ao centro de estágios da universidade. E consegui porque falei com um professor e ele disse que tinha um amigo que tem uma empresa em Nova York e que podia mandar meu currículo para ele.

QA: Como foi a adaptação à rotina de trabalho?
AO: O primeiro foi bem tranquilo, porque era um projeto de dentro da universidade. O segundo, já era uma rotina de trabalho mesmo. Trabalhava oito horas por dia, mas foi ótimo. O pessoal lá é muito receptivo. Tinha um coordenador de estágio e uma designer que me orientavam e estavam sempre dispostos a me ajudar.

QA: O que você fazia exatamente nos estágios?
AO: No primeiro, na revista da universidade, participava de todas as reuniões de pauta com os editores de todas as editorias e fazia aquilo que o diretor de arte faz. Por exemplo, a pessoa chegava com uma matéria de oitocentas palavras, mas só tinha duas páginas e você tem que dizer para ele cortar o texto porque não estava cabendo e orientando com as fotografias também, dizer quando não estava legal, não estava representando o que o texto queria dizer. Eu dizia se a foto estava com a qualidade boa ou não, o que precisava melhorar, esse tipo de coisa. No outro, eu era design gráfica na editora e também fazia trabalhos da parte de assessoria, apesar de que não ter feito a disciplina de assessoria aqui.

QA: A convivência com os colegas de diferentes nacionalidades foi um fator importante para aperfeiçoamento e fluência da língua?
AO: A convivência me ajudou a amadurecer mais pessoalmente, porque aconteciam falhas na comunicação. Por exemplo, conversar com um latino ou um indiano falando inglês me atrapalhava porque eles não pronunciam bem. Já a comunicação com o americano era bem melhor, porque ele fala inglês perfeitamente e mesmo que você pronuncie errado, ele vai saber. É tipo quando chega um estrangeiro aqui e fale alguma coisa em português, mesmo falando errado, a gente entende. Foi bom porque convivi com muitas pessoas de diferentes culturas e isso ajuda você a crescer e a respeitar as diferenças que tem no mundo a fora, ver que não é só aquilo que você está acostumado.

QA: O trabalho mais significativo que você fez? Qual a melhor das experiências?
AO: A minha melhor experiência foi ter trabalhado como diretora de arte da revista, porque é uma área que gosto que é o design. Mas, tinha também o viés jornalístico. Acontecia aquela reunião de pauta de verdade, em uma mesa enorme, com todos os editores e tinha aquela discussão, então isso foi bem legal. Trabalhar com os repórteres, com os fotógrafos, foi uma experiência muito legal, apesar de não ter aquela rotina de trabalho de oito horas por dia e cinco dias na semana como no outro estágio.

Angélica na universidade

Angélica na universidade

QA: E o aprendizado, a experiência mais marcante no período em que você morou nos EUA?
AO: Foi sem dúvida a disciplina de Jornalismo Multimídia, porque eles me ensinaram a manusear todos os tipos de câmera e eu aprendi a usar três programas principais de edição de vídeo. Além disso, aprendi introdução à linguagem HTML. Isso foi muito importante porque um jornalista lá não é que nem aqui que você é um repórter e sai com um cinegrafista. Lá você é o repórter, o cinegrafista e o editor do vídeo, então essa disciplina era justamente para ensinar isso. Ela é pré-requisito para Telejornalismo I, porque quando você faz telejornalismo I, você sai para rua sozinha, com a câmera, você mesma coloca a câmera lá, grava o seu stand up, entrevista as pessoas, quando termina você volta para a sala de edição, edita seu vídeo sozinha e manda. Foi a melhor experiência acadêmica que eu tive.

QA: O que você trouxe na bagagem de volta?
AO: Além do aprendizado profissional e acadêmico, também aprendi alemão, porque tinha a opção de estudar um idioma e escolhi alemão. Além do conhecimento profissional de design gráfico, que eu não sabia nada, aprendi isso lá. Evolui muito, porque nunca morei longe dos meus pais, então passar um ano longe deles, recebendo um dinheiro e tendo que me virar sozinha contribuiu muito para minha evolução. Aprendi que o mundo não é aquilo que estou acostumada. As pessoas pensam diferente e as outras culturas são muito interessantes.

QA: E o futuro? Como pensa em viver e encarar os desafios daqui pra frente?
AO: Meu maior desafio agora é terminar a graduação, por isso estou estudando em todos os horários da noite e fazendo três disciplinas pela manhã. Quero me formar logo para aproveitar as bolsas que ainda têm para mestrado e doutorado. Pretendo me formar o quanto antes para poder ir logo enquanto há bolsas disponíveis. Ninguém sabe até quando vai ter… Nem vou entrar para o mercado de trabalho.

QA: A experiência reservou alguma perspectiva de voltar a estudar ou mesmo morar nos EUA? Está nos seus planos?
AO: Sim. Já estou com planos concretos de tentar um mestrado ou doutorado lá. Já conversei até com o Dilson (Dilson Alexandre, coordenador de Jornalismo) e ele me incentivou a tentar logo o doutorado, porque lá o mestrado não é pré-requisito para o doutorado. É possível tentar direto, então vou tentar, em 2016 ou 2017.

 Clara Jovino

4° semestre

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