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Esquerda: PT volta ao poder no Brasil e no Ceará

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Luís Inácio Lula da Silva é eleito presidente do Brasil pela terceira vez. No Ceará, eleitores escolheram governador e senador do mesmo partido do presidente eleito

Foto: Símbolo do Partido dos Trabalhadores (PT). (Reprodução/PT)

No domingo, 30, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tornou-se o novo presidente da República, sua terceira vez ocupando o cargo de chefe do executivo federal, voltando ao poder após passar dois anos preso. O político saiu vitorioso na disputa contra o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), que buscava a reeleição no segundo turno das eleições gerais do ano de 2022. 

Segundo informações do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), neste domingo às 19h56min, com 98,91% das urnas eletrônicas apuradas, Lula foi considerado eleito depois de receber 59.563.912 votos (ou seja 50,83% dos votos válidos), contra  os 57.675.427 votos direcionados a Bolsonaro (49,17% dos votos válidos).

Dados do TSE apontam que nessas eleições o número de votos válidos foi de 117.305.567. No caso de votos brancos, foram registrados 1.751.415 (1,43%) e também 3.889.466 votos nulos (3,16%). A abstenção chegou a 20,90%. 

No caso do Ceará, ainda no primeiro turno, em 2 de outubro, foi decidido os ocupantes dos cargos de Senador e Governador e ambos são do mesmo partido do presidente eleito, o Partido dos Trabalhadores (PT). Dados do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará mostram que Camilo Santana foi o escolhido como senador após receber 3.389.513 votos (69,80% dos votos válidos), passando os oponentes Kamila Cardoso (Avante), Erika Amorim (PSD) e Carlos Silva (PSTU). 

Para Governador, foi eleito o candidato Elmano de Freitas depois de receber 2.808.300 votos (54,02% dos votos válidos) passando Capitão Wagner (União), Roberto Cláudio (PDT), Chico Malta (PCB), Serley Leal (UP) e Zé Batista (PSTU), segundo o TRE-CE. 

Para o mestrando em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e UX Research no Will Bank,  Lucas Vieira, as expectativas do terceiro mandato do Lula, sao complexas e confusas , porque se vê diferentes expectativas em diferentes grupos. “Falando do eleitorado, Lula neste segundo turno, em específico, a gente vê uma diluição entre pessoas que acreditam no seu projeto político, existe um grupo que votou por mera rejeição ao governo Bolsonaro. Do outro lado, você tem grupos que votaram no Bolsonaro e que não queriam o governo Lula por acreditar no projeto político do Bolsonaro e uma parcela que votou no Bolsonaro por não acreditar no projeto político do Lula”. 

Vieira também acredita que o arranjo que existe em torno do governo Lula, quando as pessoas se voltam para a possível composição ministerial, “já é uma expressão disso porque para conseguir se eleger, ele foi, desde já, realizando conchavos, conciliações, e essas concessões, provavelmente, vão se revelar na composição ministerial”. O mestrando em sociologia aponta que os brasileiros verão uma composição de governo que vai depender muito mais de conchavos e negociações, desses acordos políticos, do que necessariamente uma decisão política livre com amplo apoio popular, com amplo apoio do congresso, “que foi muito diferente do primeiro e do segundo mandato do governo Lula. 

Para Matheus Alexandre de Araújo, Mestre em Sociologia pela UFC e pesquisador do Laboratório de Estudos em Política, Educação e Cidade (LEPEC), Lula vai ter o desafio de unir o País que, hoje, “está tomado por um clima político de ódio promovido pelo bolsonarismo”. Conforme o sociólogo, a polarização é saudável, desde que se dê em marcos democráticos, porém aponta que não é o que ocorre no Brasil de hoje, já que o “bolsonarismo trata adversários políticos como inimigos e isso já resultou em diversos episódios de violência e morte”. 

Além disso, Matheus diz que Lula também vai ter que lidar com uma “nova juventude brasileira” e parte dela, como resultado das mobilizações de junho de 2013, está politizada e engajada em debates feministas, antirracistas e LGBTQIAP+. “Essa juventude engajada e crítica está de olho nos rumos do novo governo”, disse.

Governo de Coalizão

Segundo Matheus Alexandre de Araújo, um governo de coalizão trata-se de um governo sustentado e com a participação de vários partidos. “Esse modelo impera no Brasil desde a década de 1990 e é conhecido como ‘presidencialismo de coalizão’”, disse. O sociólogo diz que o governo Lula, sem dúvida, vai repetir essa fórmula. Em primeiro lugar, por uma questão pragmática pois é preciso maioria no parlamento para conseguir governar. Em segundo, a partir do contexto em que essa eleição se deu, o governo será de união nacional. “Isso significa dizer que, sim, o PT terá sua marca nas políticas adotadas, mas por ter se tratado de uma ampla aliança que levou Lula ao poder, será um governo de muitas mãos, não se reduzindo, portanto, a um ‘governo do PT’”, afirmou.

Já Lucas Vieira aponta que no governo Lula (no 1º e 2º mandato) já encontrava-se um governo de coalizão. “O Lula se caracteriza como um grande conciliador, e aí entram as concessões em  nível ministerial, em nível de secretarias, os cargos condicionados, eles vão sendo atribuídos com base nessas coalizões. Então, as peças ainda estão se movimentando, tudo tá muito incerto porque acredito que o próprio governo Lula, a sua composição, como ela vai se dar, muito aguarda ainda o posicionamento do STF em relação ao Bolsonaro e o que pode acontecer com ele daqui pra frente”, disse Vieira. 

Segundo o mestrando em Sociologia, isso vai ditar o comportamento dos partidos de direita e quais são aqueles que vão estar abertos para poder ser convidados para compor o goveno, ou aqueles que vão se fechar numa base radical para ser uma oposição ferrenha a ele. Vieira diz que, ao observar o cenário político, já dá para apontar que o espectro a ser tomado pelo governo seja algo mais à direita “por onde tem se formado o congresso, de modo geral, mas imaginar em que nível isso pode chegar, qual será o nível de concessão, qual será o nível de alianças, quais serão as pautas que o governo Lula vai avançar, quais serão aqueles que eles vão recuar, tudo vai depender dessas novas peças que ainda estão se movimentando”. 

Ao fazer uma citação às manifestações nas estradas pró-Bolsonaro, Lucas Vieira diz acreditar que essa movimentação que existe alí, que está existindo hoje dentro da ala bolsonarista, é o que vai ditar a posição dos partidos políticos, “como vai se dar esse governo de coalizão e para qual lado esse pêndulo vai”. Vieira reforça que esse “pêndulo” vai puxar mais para o lado da direita, porém o quão eles vão estar dispostos a negociar, também, as suas próprias pautas conservadora, “se elas vão abrir, de fato, toda a agenda que foi pronunciada na campanha eleitoral do Bolsonaro (por ser um partido que tentou reeleger Bolsonaro), a gente não sabe, muito vai depender dessas negociações que ainda estão acontecendo”. 

Eleição Estadual

Matheus Alexandre aponta que o novo governo do Ceará, sob liderança de Elmano de Freitas (PT), deverá dar continuidade dos governos de Camilo Santana e Izolda Cela. Segundo o sociólogo, Elmano foi eleito muito em razão do capital político de Camilo, que empreendeu uma força-tarefa para garantir apoios em todo o estado. Ele também mostra que para o Ceará, mudará, sobretudo, a relação com o Governo Federal, “que deverá ser mais amistosa e republicana, diferente que vinha ocorrendo nos últimos quatro anos, quando o governo de Jair Bolsonaro desprivilegiava governos não alinhados ao seu”. 

“Assim, com um Governo Federal que trate de forma isonômica todos os governadores, o Ceará pode esperar avanços a partir da cooperação entre o governador Elmano e o presidente Lula”, disse Matheus Alexandre.  

Além disso, o sociólogo aponta que tal cooperação vai contar com uma interlocução em Brasília, no caso a de Camilo Santana e de Izolda Cela, que estão sendo cotados para serem ministros de Estado, além do fato de Camilo ter sido eleito Senador da República. 

Presidente, Governador e Senador de um mesmo  partido

Ao abordar o assunto do Ceará ter eleito governador e senador do mesmo partido do presidente Lula,  Matheus Alexandre diz que é preciso avaliar várias nuances. Ele aponta que a cooperação entre estas três esferas pode trazer avanços para o estado do Ceará, entretanto, no caso, se o senador ou governador eleitos fossem de partido diferente, “não significaria que essa cooperação fosse impossível”. Para ilustrar, o mesmo aponta que, em outros momentos do Ceará, contamos com a cooperação do governador Cid Gomes (então do PSB) com os presidentes Lula e Dilma (PT). 

Quando paramos para refletir que eles têm um mesmo pensamento, pode surgir o questionamento se esse fato não prejudica a noção de pluralidade. Matheus Alexandre aponta que o que garante é a manutenção da ordem democrática e também o respeito às instituições, assim como a oposição, que deve ter o direito de voz, voto e protesto. “Temos inúmeros exemplos, no mundo desenvolvido, da manutenção de um mesmo partido no poder durante décadas, mas sem que o ordenamento democrático seja comprometido ou que a oposição enfrente condições desiguais de disputa”, disse o sociólogo. 

Em contraponto, Matheus diz que, nem sempre quando há um presidente de um partido diferente do governador e do senador, isso significa pluralidade. “Como vimos nos últimos quatro anos, a pluralidade democrática era constantemente testada pelo então presidente Jair Bolsonaro”, disse.  

De acordo com o site “Poder 360”, o governo de transição ficará instalado no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) e, enquanto durar os trabalhos, os funcionários vão trabalhar em home office. Além disso, o espaço conta com 3.000 metros quadrados e serão utilizados os móveis da instituição.

O mesmo site mostra que, nesta sexta-feira, 4, Gleisi Hoffmann e Aloizio Mercadante, coordenadores das áreas política e técnica do governo seguinte, fizeram uma visita ao local. Além disso, eles estavam acompanhados do líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara, deputado Reginaldo Lopes (MG), do senador Paulo Rocha (PT-PA), da deputada federal Perpétua Almeida (PC do B-PA) e também da ex-senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM). O responsável por comandar esse governo de transição é Geraldo Alckmin (PSB). 

Texto: Bernardo Barros (Jornalismo / UNI7)

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