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Análise das características do Webjornalismo no portal da revista Trivela

Categoria:

Artigos, Texto, Uni7 Informa

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Guilherme de Andrade Feitosa

Centro Universitário 7 de setembro

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2.Hipertextualização. 3.Multimedialidade. 4.Interatividade. 5.Memória. 6.Instantaneidade. 7.Personalização. 8.Ubiquidade. 9.Considerações finais. 10.Referências bibliográficas.  

RESUMO: Este artigo foi produzido na disciplina de Webjornalismo 2021.1, do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo para o Centro Universitário 7 de Setembro. Tem como objetivo analisar o portal da revista “Trivela”, a partir de sete conceitos básicos que tornam um site cada vez mais completo: hipertextualização, multimedialidade, interatividade, memória, instantaneidade, personalização e ubiquidade. O artigo foi desenvolvido por meio de uma pesquisa, e teve como base o livro organizado por João Canavilhas (2014), “Webjornalismo: 7 características que marcam a diferença”. Dessa forma, foi observado como o portal em questão atua em cada conceito mencionado anteriormente, por meio de análise de imagens e textos de como os conceitos são utilizados no site.  

PALAVRAS-CHAVE: Trivela. Hipertextualização. Multimedialidade. Memória. Ubiquidade.

  1. Introdução

Criada como portal no ano de 1998 por Cassiano Ricardo Gobbet, Tomaz Alves e Martim Silveira, a TRIVELA tinha como intuito falar sobre futebol internacional, algo pouco visado na época por outras empresas de comunicação. Depois da criação, o portal também passou a falar sobre o futebol brasileiro. O site tem como missão ser referência no âmbito do futebol no Brasil, e entre seus valores da empresa estão: liberdade editorial, visão crítica, respeito à diversidade e levar entretenimento aos usuários. O principal propósito da Trivela é gerar diversão aos amantes do esporte, por meio de informações de qualidade. 

  1. Hipertextualização

Desde o final do século XX, o jornalismo na web, conhecido como webjornalismo, tem ganhado força, principalmente com o crescimento continuo da internet em todo o mundo. As notícias podem ser acessadas, independente do país em que cada um esteja, facilitando assim o acesso a informações. Uma das características do webjornalismo é a chamada hipertextualização, que se trata de uma série de blocos informativos interligados entre si por meio de links. Isso dá a possibilidade de o leitor criar um próprio caminho de leitura. 

Theodor Nelson (1992 apud CANAVILHAS, 2014, p.6), define hipertextualização como “[…] uma série de blocos de texto ligados entre si por links, que formam diferentes itinerários para os leitores”. Já Pierre Lévy (1993 apud CANAVILHAS, 2014, p.6) acredita que as hiperligações dão a liberdade para o leitor desenhar o próprio percurso de leitura dentro de uma rede, seja ela mais ou menos complexa. Landow (1995 apud CANAVILHAS, 2014, p.5) segue a ideia de um texto fragmentado e as diversas possibilidades de leituras que a hipertextualização oferece. Entretanto, este autor alerta para a ameaça de transformar o texto em um caos, ou seja, deixá-lo sem rumo e com informações misturadas. 

Figura 1 – Hiperlinks em matéria da Trivela.

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Fonte: http://www.trivela.com.br , acesso em 11.05.2021

A utilização da hipertextualização pode se dá por duas formas: dentro e fora do texto. Em uma das matérias analisadas do Trivela, portal de notícias esportivas, “Ceará sai à frente do Bahia na final da Copa do Nordeste” é possível observar os dois modelos sendo empregados.

  1. Multimedialidade

Os seres humanos possuem formas diferentes de perceber o mundo em que estão inseridos. Isso se dá por meio dos vários sentidos corporais que cada um possui: visão, audição, tato, olfato e paladar. No jornalismo, assim como o exemplo trazido anteriormente, existem algumas formas diferentes de receber uma informação ou de propagá-la. Isso se chama multimedialidade, ou seja, trazendo para uma definição mais simples, é a capacidade de combinar texto, som, imagens e vídeos. 

Segundo (Willis, 1994; Deuze, 2004; Garcia Avilés & Carvajal, 2008; Karlson & Clerwall, 2011 apud CANAVILHAS, 2014, p.27), multimedialidade se dá quando distintos meios de comunicação de uma mesma empresa jornalística chegam em um resultado conjunto, através de suas respectivas coberturas. Abaixo, vemos diferentes meios para noticiar algo. 

Figura 2 – Material em vídeo da Trivela.

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Fonte: https://www.youtube.com/trivelafutebol , 12.05.2021

Figura 3 – Material em áudio da Trivela. 

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Fonte: https://open.spotify.com/show/5AjTsARnxCvi6cqyktkofV?si=rGMSDPWJT3-Cc6t4-oWhHg , acesso em 12.05.2021

A “Trivela”, possui diferentes formas de compartilhar e produzir conteúdos. Além do tradicional texto com imagens de destaque, a revista também utiliza outros meios. O portal usa o Spotify, para a produção de podcasts (conteúdo em áudio), YouTube e Twich, para reproduzir os podcasts, mas com imagens. Ou seja, usa diferentes meios, como visto nas figuras abaixo, para chegar a um resultado conjunto. 

  1. Interatividade

A interatividade é uma importante característica do webjornalismo. Este recurso facilita o cotidiano do usuário em web sites de notícias, pois dá um poder maior ao leitor, tanto na escolha de conteúdos (interatividade seletiva) como na expressão e comunicação (interatividade comunicativa), como observa Rost, (2006 apud CANAVILHAS, 2014). Neste sentido, é fundamental entender as duas formas de interatividade:

No campo da informática, no da sociologia e no das ciências da comunicação. No primeiro, ele remete a interação entre pessoas e computadores. No segundo, alude à relação entre os próprios indivíduos. Já no último, analisa o processo entre receptores e mensagens do media. (JENS JENSEN 1998, apud CANAVILHAS, p.54)

No site da Trivela, é possível encontrar algumas formas de interatividade. Por ser um portal multiplataforma, ou seja, que também produz conteúdo para outros meios (YouTube e Redes sociais digitais), o site disponibiliza botões para os leitores clicarem e já serem redirecionados para essas plataformas. Outra forma de interação é personalização do site. Os editores colocam a opção para o usuário escolher o conteúdo que quer ler por meio de categorias. Além disso, dão a possibilidade para o leitor conhecer mais sobre a equipe, sobre o próprio portal e de fazer anúncios no site.

Figura 4 – Botões de interatividade da Trivela

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Fonte: http://www.trivela.com.br, 13.05.2021

  1. Memória

Para facilitar a navegação de quem consome e produz jornalismo no meio online existe a ferramenta “Memória”. Isso nada mais é do que o armazenamento de informações, notícias ou algo relacionado no meio online. Pelo armazenamento de informação binária, é possível guardar grande quantidade de informações em um pequeno espaço. 

Figura 5 – Notícias mais lidas da Trivela

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Fonte: http://www.trivela.com.br, 14.05.2021

Régine Robin (2003, apud CANAVILHAS, 2014, p.101) descreve a utilização da ferramenta Memória: “é como se o passado nevasse sobre nós”. Este recurso entrega exatamente essa possibilidade de visitar o passado. Ou seja, o usuário tem acesso a notícias anteriores, que são disponibilizadas imediatamente. No portal analisado, “Trivela”, temos a utilização dessa ferramenta na área do site que mostra as notícias “mais lidas” (figura 5). Nessa sessão, algumas matérias de dias anteriores ficam destacadas de acordo com a quantidade de visualizações. 

  1. Instantaneidade

No jornalismo, principalmente com a força da internet nas primeiras décadas do século XXI, a velocidade com que o fato é contado é de fundamental importância. Este método é chamado de instantaneidade. A pressão, sobre e entre as empresas jornalísticas para que sejam sempre as primeiras a noticiar algo, tem sido cada vez maior com o decorrer do tempo. Isso acontece para que não se perca o “timing” do assunto e, consequentemente, para que não se divulgue algo “velho”. 

A busca por ser sempre o primeiro a noticiar algo está relacionada com a quantidade de visualizações que a empresa terá naquele material divulgado. Quando divulga algo depois dos concorrentes, as pessoas não vão mais ler o que aquela empresa noticiou, pois já leram em outros locais. Diante dessa pressão, as empresas jornalísticas elegeram algumas tecnologias como forma de ganhar vantagem, a exemplo de editoração eletrônica e tecnologia via satélite. 

Mas o que fazer quando não se é o primeiro a divulgar uma história? De acordo com Canavilhas (2014, p.111), “caso o veículo (publisher) não conseguisse ser o primeiro a divulgar a estória, então teria de ser o primeiro a obter a primeira fotografia, a primeira entrevista, a primeira reação, ou o primeiro a fornecer a análise do fato”. Ou seja, o pioneirismo é algo sempre buscado dentro do webjornalismo.

Na “Trivela”, a análise desenvolvida para este artigo permitiu perceber que os organizadores buscam por essa instantaneidade. Isso fica mais evidente nas matérias de “Pós-jogo”, que são textos que saem logo em seguida a alguma partida. Nessas matérias, normalmente são comentados fatos que ocorreram no jogo em questão, principais destaques e os próximos desafios dos dois times que se enfrentaram. A matéria é divulgada minutos após o final da partida. 

Figura 5 – Matéria Pós-jogo da Trivela

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Fonte: http://www.trivela.com.br, 15.05.2021

  1. Personalização

Um dos recursos mais fundamentais para o webjornalismo se trata da “personalização” ou o ato de personalizar. Diante do número de notícias que são divulgadas diariamente em um portal, este recurso permite ao usuário encontrar com maior facilidade algo que queira ler. Isso se dá a partir da divisão por guias, que redirecionam o leitor a uma área do site com notícias apenas de um tema específico. A “personalização” também pode ser encontrada na utilização de cadastros, onde o usuário coloca o e-mail e passa a receber notícias sobre o tema escolhido. 

O Dicionário Collins (1991, apud CANAVILHAS, p.140) descreve o recurso da personalização como: “fazer algo de acordo com as necessidades individuais dos clientes”. Ou seja, os criadores de sites ou portais, estão cada vez mais oferecendo algo de acordo com a preferência e necessidade dos usuários. 

No site da “Trivela” é possível observar no canto superior direito, uma característica que permite o leitor escolher as notícias com base no próprio interesse. Ao todo, são divididas em seis categorias: Brasil, Europa, América do Sul, Podcast, Programação da TV e Mais. Dentro de cada uma existem subtemas para detalhar ainda mais a busca do leitor. Além disso, há uma área em que as pessoas podem pesquisar palavras chaves, temas ou matérias do próprio site. 

Figura 6 – Personalização do site da da Trivela

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Fonte: http://www.trivela.com.br, 17.05.2021

  1. Ubiquidade

Trazendo uma definição objetiva, ubiquidade é nada mais que algo que é encontrado em todo lugar. Colocando no contexto da mídia, este recurso “implica que qualquer um, em qualquer lugar, tem acesso potencial a uma rede de comunicação interativa em tempo real” (Canavilhas, 2014, p.160). Ou seja, além de ter acesso a notícias e entretenimento, o usuário pode participar e fornecer a própria contribuição. 

Canavilhas (2014, p.160), diz que “o conteúdo noticioso emana de uma variedade de fontes cada vez mais ubíquas, incluindo câmeras de segurança ou vigilância bem como sensores de muitos tipos e formatos, frequentemente ligados à internet”. Já o dicionário Merriam-Webester (1831) define ubiquidade como algo que esteja presente em todos os lugares ou em vários, simultaneamente. 

Na “Trivela”, portal analisado neste artigo, é possível ver a ubiquidade a partir das diversas plataformas que o site está inserido. Facebook, Instagram, Spotify, Twitter, YouTube, Twich e Telegram. Em todas estas redes sociais é possível encontrar materiais ligados à Trivela. Dessa forma, o portal consegue levar a mesma informação para públicos diferentes. 

  1. Considerações finais

 Este artigo teve como intuito analisar o Portal da revista Trivela de acordo com os sete conceitos básicos apresentados no livro “Webjornalismo: 7 características que marcam a diferença”, organizado por João Canavilhas (2014). Por meio da pesquisa realizada, foi possível notar o enquadramento do site na maioria das características apresentadas pelo autor, como por exemplo: instantaneidade, personalização, multimedialidade e hipertextualização. 

Criado em 1998, o portal da Trivela tinha como intuito inicial tratar apenas sobre futebol internacional e em um único meio: por meio de textos. Porém, com o passar dos anos, o site se aprofundou e aumentou a oferta de opções para os usuários, para que possam se sentir mais próximos das informações. Assim, a Trivela transmite as notícias por meio de som, imagem e texto, algo que no início do portal não era visto. 

 10 Referências bibliográficas 

CANAVILHAS, João. Webjornalismo 7: caraterísticas que marcam a diferença. 2014.

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