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Análise das características do Webjornalismo no portal da revista Time

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Artigos, Texto, Uni7 Informa

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Lucas Monteiro Sobreira Morais

Centro Uniiversitário 7  de Setembro

Sumário: 1. Introdução. 2. Instantaneidade. 5. Personalização. 7. Memória. 8. Multimidealidade.  10.  Hipertextualizade.  11.  Interatividade.  13.  Considerações Finais.  13. Referências bibliográficas.

Resumo: Este artigo foi produzido com o interesse de analisar o portal da revista TIME para a disciplina de Webjornalismo 2021.1, do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, da UNI7, a partir do livro Webjornalismo – 7 características que marcam a diferença, organizado por Canavilhas (2014). Fruto de trabalho de pesquisa no site da publicação, foi possível reconhecer as características mais importantes da produção de notícias no mundo virtual em plena transformação. A forma como o consumidor mudou, modificou a maneira como os parâmetros jornalísticos se estenderam aos novos níveis de criação de conteúdo para atender a demanda e suas urgências. Assim, foi possível perceber que as peculiaridades específicas da TIME em sua longa história foram reforçadas, ao mesmo tempo em que são reconhecidas pela singularidade que carregam para atender aos seus leitores, com a missão de contar histórias por ângulos exclusivos.

Palavras-chave: Webjornalismo. TIME. Conteúdo.

Introdução

Lançada em março de 1923, a revista norte americana TIME se notabilizou pelo conteúdo jornalístico. A publicação é considerada a revista de notícias de maior circulação média em todo o mundo e até hoje lança perspectivas na área da comunicação em razão do seu alcance, do histórico da publicação e de sua penetração na sociedade em âmbito global. Entre os seus prêmios, se destaca o Top Award for Magazine Excellence de 2006, pelas reportagens do Furacão Katrina e das salas de interrogação da prisão de Guantánamo. 

A revista é reconhecida pelas coberturas exclusivas e pelas capas que traduzem a condução de suas histórias: as pessoas. Por inovar desde o seu logotipo à formatação, entrar no meio digital não foi um problema para a publicação, já que seu portal segue a mesma linha de informação e cobertura especial em cada matéria, demarcando a convergência entre o impresso e o meio digital. 

Este artigo analisa o portal da TIME a partir de suas características. São elas: Instantaneidade (o fato rápido, repentino), hipertextualidade (agrega um conjunto de informações por blocos de textos), multimidealidade (sistema que acompanha uma tecnologia multimídia, a fim de transmitir uma comunicação), interatividade (uma associação das novas mídias de comunicação), memória (recuperar informações) e personalização (tornar a experiência individual), identificando quais são encontradas, e em que tipo de estratégia.

1 Instantaneidade 

Perseguida por todos e quaisquer meios de informação conhecidos, a necessidade de se noticiar um fato primeiro é a cerne do jornalismo qualificado, e quando bem apurado, se destaca imediatamente, fidelizando a confiança dos internautas. Neste sentido, o portal da revista TIME possui em sua parte superior, no lado esquerdo, uma área de cadastro para que os leitores possam receber, via e-mail, boletins atualizados pela equipe da revista com as notícias mais recentes, que são as newsletter. O diferencial da newsletter da TIME é que ela é separada por editorias específicas, ao gosto do internauta/assinante, o que difere de meios que informam os seus usuários com informações que não preenchem os valores noticiosos atraentes aos mesmos. 

Nessa área do portal da revista é possível ver o cardápio de possibilidades em que o e-mail pessoal pode ser inserido, para que o usuário tenha as devidas atualizações. Entre as possibilidades que preenchem a já mencionada instantaneidade estão a Breaking News, que contempla as notícias de última hora com uma leve análise dos próprios repórteres, ou em que é inserido um comentário junto à informação oriunda dos analistas da revista que mantêm coluna no impresso e digital. Outra oferta é The Brief, um apanhado do dia com as informações mais importantes que ocorreram, escolhidas diretamente pelos editores da TIME. 

Por essa razão, a newsletter é um artifício muito usado por meios já consolidados para manter o vínculo contínuo entre eles e seus usuários, principalmente no meio digital. Na TIME, é possível reconhecer que as informações são preenchidas com uma análise aprofundada do fato e nível de importância, e enviadas direto na caixa de entrada do e-mail, tanto em questão de minutos ou com frequência semanal, como o boletim The D.C. Brief aos finais de semana, com dados importantes da capital dos EUA, Washington. 

Diante da necessidade de ser o primeiro a dar notícias, e sair na frente com um conteúdo claro, o portal da TIME, no atual contexto da pandemia da Cocid-19, oferece na interface principal (Imagem 1) uma atualização de casos e mortes nos EUA e no mundo. Como a revista se destaca pela profundidade em que aborda os temas do cotidiano na sociedade, ainda que com um viés global, esse tema aparece em destaque no gráfico de atualização com matérias mais analíticas e densas. 

Imagem 1 – Home da TIME – Atualizações do Coronavírus.

Fonte: disponível em: https://time.com/. Acesso em 15/052021.

              O efeito de rede implica um nível de organização e homogeneidade, enquanto no impresso é exigido máquinas para essa finalidade física. Na internet, e até mesmo na TV, isso não é necessário. Ao mesmo tempo, os consumidores estão mais ligados a um consumo mais urgente, em que o poder de produção e distribuição ditam regras às quais os meios precisam se organizar para atingir um público cada vez mais online, como demonstra Canavilhas (2014, p. 20)

O jornalismo criou, com o passar do tempo, estratégias de acordo com as características da nova era. Atualmente, os meios que podem ser observados estão trabalhando na organização, gestão e tratamento da informação, com olhares a contemplar conteúdos que respondam às necessidades dos usuários e aproveitar as ferramentas que a internet oferece. Uma tendência notável neste novo cenário é a criação de cibermeios especializados. Generalizou-se a participação dos usuários e se incorporou recursos multimídia e alguns meios anunciaram processos de convergência.

Em várias frentes, é possível reconhecer as ferramentas utilizadas pela revista TIME como um todo em busca dessa instantaneidade, porém com aprofundamento. Na edição online de 15 de maio de 2021, o site recuperou uma extensa reportagem de 28 de abril do mesmo ano sobre a crise sanitária causada pelo coronavírus na Índia (Imagem 2). Trazendo as razões do colapso que o país tem passado, a versão online de TIME foi além da edição impressa, em que destacava uma matéria de capa com fotos da equipe, além de um vídeo feito especialmente para o seu canal no YouTube, onde possui cerca de 1.7 milhão de inscritos, em maio de 2021.  

Essa sinergia que TIME contempla, incrementa ainda mais a amplitude da matéria, ao mesmo tempo em que vivencia de maneira efetiva os novos parâmetros de compartilhamento das informações. Além de propiciar ao consumidor a possibilidade de acesso a esse micro universo da matéria jornalística, seja pela vastidão das fotos, ou pelo vídeo que beira a reprodução in loco no aspecto documental e de investigação exclusiva. Esta oferta garante um diferencial na qualidade do texto da revista, e é detectada pelo histórico da publicação em matérias de interesse humano que migraram para a web. 

Imagem 2 – A crise do COVID-19 na Índia está saindo do controle. Não precisava ser assim. 

Fonte: disponível em: https://api.time.com/wp-content/uploads/2021/04/saumya-khandelwal-india-crematorium-covid-1.jpg?w=1349&quality=85. Acesso em 15/05/2021.

2 Personalização 

Um dado relevante quando se trata desse tópico, é que a TIME decidiu recentemente ir contra a manutenção de sua periodicidade semanal e tornou-se uma revista de circulação quinzenal, em razão da queda de sua tiragem entre os anos de 2018 e 2020. A publicação ainda mantém uma circulação impressa de 90 mil cópias em banca de jornal, tendo uma base de 3.2 milhões de assinantes, mas tem seu maior destaque nas redes – meio que mantém ampla margem de cobertura de público, em razão da cultura construída em torno do seu título, que alcança cerca de 20 milhões de pessoas nas plataformas em que está presente.

Isso favorece à personalização, que se adequa aos critérios do consumidor, no conteúdo que proporciona. Outra evidência dessa característica no portal, é a existência de um espaço específico para compras com relação à marca, a TIME Store (Imagem 3), onde é possível comprar as icônicas capas da edição impressa personalizadas ao gosto do usuário/assinante. 

Imagem 3 – TIME Store. Fonte disponível em: https://timecoverstore.com/ Acesso em 15/05/ 2021

Essa personalização que TIME possui também é exemplificada na edição impressa específica para a Europa, que é a mesma distribuída na América Latina e parte do Oriente Médio, chamada de TIME Europe. Neste ponto, a revista antecipou tendências da singularidade quando difere abordagens de suas reportagens por níveis de interesse nas distintas localidades em que chega, seja no impresso ou na web. O que remete a Mirko (2014, p. 141) quando diz que

As empresas de media estão acostumadas a medir o sucesso pelo tamanho da sua audiência. São empresas de comunicação em massa, criadas para informar e entreter milhões. Embora este modelo tenha funcionado durante décadas, neste momento sofre sérios problemas. De certa forma, funciona, mas tem tantas falhas e elementos em falta que há uma grande necessidade de avançar com conceitos inteiramente novos.

No sentido de avançar em novos conceitos, a TIME se notabiliza pelas reportagens com uma maior profundidade em seu portal. Na visita ao site no dia 16 de maio de 2021, é possível perceber que a equipe jornalística da publicação voltou a colocar na sessão You Should Know (Você Deveria Saber), uma matéria publicada dois dias antes, em razão da escalada de violência no conflito Israel-Palestina. Como aos finais de semana as notícias são menos factuais, ou seja, mais frias, o site passa por modificações, e uma maior contextualização do fato corrente é feita diante da necessidade, sempre com uma análise embutida nas entrelinhas. A este respeito, Martins e Rivera (2020, p. 16) apontam que

Enquanto as informações de última hora devem usar formatos simplificados e serem distribuídas o mais próximo possível do momento do acontecimento, as notícias devem ser elaboradas para um consumo disperso no tempo e, por isso, estar em permanente atualização.

Nesse ponto em específico, é relevante o papel de atualização em que a produção informativa de TIME se destaca, pelo uso recorrente da Memória. Ainda que se utilize de destaques, com matérias já publicadas, elas sofrem pequenas atualizações com mais imagens – algo já muito particular na publicação.

3 Memória 

Como construção coletiva, a Memória talvez seja a característica do webjornalismo mais perceptível na TIME. Com uma aposta na antecipação de eventos futuros, este meio de comunicação postou uma matéria em 14 de maio de 2021 sobre um navio petroleiro, enferrujado, encalhado na costa do Iêmen (Imagem 4). Toda uma contextualização do possível evento é feita – como a catástrofe ambiental – além da questão interna do país diante da sua própria história política e implicações. 

Imagem 4: Petroleiro encalhado no Iêmen. Fonte disponível em: https://api.time.com/wp-content/uploads/2021/05/yemen-fso-safer-oil-tanker-1.jpg?w=1349&quality=85 Acesso em 16/05/2021.

Ao ler toda a reportagem, fica claro o uso desse recurso na matéria em especifico. A memória entra em ação de maneira recorrente, de modo quase natural, na produção do relato da atualidade, seja em ponto de comparação do evento presente com eventos passados, conforme afirma Palacios, 2014. Encontrada na sessão World do portal, essa matéria segue a mesma linha de raciocínio de interesse humano de outra reportagem curta, cujo tema é comum para os americanos: os sentenciados à prisão perpétua ou de morte.

Na sessão U.S., que lida com questões internas do país, uma matéria em específico conta a história de um homem de 70 anos condenado à morte no estado do Texas, e que irá passar por outro julgamento. Essa nostalgia no âmbito criminal de quem está ligado à memória dos leitores americanos, é um recurso possível para se reconhecer sua recorrência social sem precisar citar explicitamente exemplos dentro dessa mesma construção. Conforme Palacios (2014, p. 105) isso

Ou talvez não se trate exatamente de um paradoxo, mas antes de uma consequência: a velocidade de nosso tempo é tal que nos sentimos obsessivamente compelidos a salvar imagens do presente, com o propósito de a ele voltarmos mais tarde, em um tempo futuro idealizado e mais calmo que – obstinadamente – insistimos em sonhar que um dia possa vir a existir.

Para que não exista confusão entre história e memória, as duas matérias foram publicadas em um intervalo de dois dias entre uma e outra. A primeira reportagem sobre o navio na costa do Iêmen é em sua maior parte composta de fotos e gráficos para maior compreensão, o que denota uma formação de memória como ato, por justamente antecipar um evento, sinal claro do jornalismo contemporâneo. Já o relato pessoal do homem sentenciado à morte é constituído exclusivamente por trechos de sua vida e as consequências posteriores, montando um claro fundamento histórico. 

4 Multimedialidade 

A TIME inova quando se trata do conteúdo de mídia audiovisual da publicação. Na transmissão da informação, o uso desses recursos é essencial para a completude da mensagem que se quer passar, e isso a revista utiliza muito bem, a exemplo do que traz Canavilhas (2014, p. 29)

Finalmente, existe uma terceira aceção do termo multimédia, presente de forma muito especial no âmbito jornalístico, e não só. Referimo-nos à sua interpretação como combinação de linguagens ou de formatos – texto, som, imagem, vídeo…

TIME tem várias frentes em que os meios audiovisuais auxiliam na concepção das matérias e plataformas específicas de acesso mais amplo. Em seu canal no YouTube, reportagens misturam fotos da própria publicação com imagens geradas pela equipe de fotojornalistas da revista, além de documentários exclusivos. Um longo material em vídeo sobre o drama das mulheres negras que tiveram de ficar em casa devido a crise da Covid-19 foi publicada em 10 de março de 2021 e se estendeu até 16 de maio do mesmo ano. As publicações têm cerca de 171 mil visualizações. 

No futuro, os meios atuais serão enriquecidos por outros (Salverría, 2014) e, nesse contato previsto, TIME, possivelmente, deve se destacar pelas finalizações do conteúdo na web. Esse conceito de enriquecimento por contato é provável que venha a ser visualizado na polivalência temática do jornalista que trabalha na publicação, ao usar meios antagônicos na construção da mensagem informativa.

Na sessão do portal TIME 100 Talks (Imagem 5), é apresentada uma variedade de entrevistas com as mais diversas personalidades políticas e públicas, que discutem temas sociais da atualidade. Muito deles vem da escolha dos editores sobre os cem mais influentes do mundo no ano vigente, a partir de vídeos desenvolvidos de maneira remota, por conta da pandemia. Antes do advento da internet em 1992, a fotografia era um valor constante na construção narrativa – a exemplo da revista LIFE. A partir daí, as publicações ganharam maior facilidade de uso de outros instrumentos, devido às plataformas, como os vídeos, que podem ser usados como destaque dessa formatação de conteúdo. O tempo marca essa diferença, uma vez que

Até há três décadas, o que nos permitia distinguir o tipo de jornalismo consumido era a interface de acesso ao conteúdo. O papel e o tipo de recetor determinavam se estávamos perante um jornal, uma rádio ou uma televisão. Com o aparecimento da Web, a plataforma de acesso perdeu importância porque se tornou possível aceder a todos os meios através de um computador. (CANAVILHAS,2014, p. 15)

Imagem 5: TIME 100 Talks. Fonte disponível em: https://time.com/collection/time100-talks/ Acesso em 16/05/2021.

5 Hipertextualidade 

Para criar uma dinâmica mais ampla para o leitor fazer uso do texto, que é o cerne do conteúdo para consumo, TIME utiliza de maneira regular a hipertextualidade em suas matérias.

Numa reportagem de entretenimento publicada em 12 de maio de 2021, a revista fez um apanhado dos longas metragens lançados no verão americano, The Most Antecipated Movies of Summer 2021 (Imagem 6). Ao longo da matéria são utilizados hiperlinks para acesso a críticas já disponibilizadas, outras matérias sobre a vacinação e a expectativa de reabertura dos cinemas. As abordagens por meio de links, em personalidades-tema na matéria exemplificada, levam o leitor até outras histórias de interesse humano que foram divulgadas anteriormente pelo próprio portal. 

Imagem 6: The Most Antecipated Movies of 2021. Fonte disponível em: https://api.time.com/wp-content/uploads/2021/05/summer-movies-2021.jpg?w=800&quality=85 Acesso em 16/05/2021

A fim de agregar na concepção desse conteúdo online, a hiperligação documental e a ampliação informativa, que segundo Salaverría consistem em uma estrutura própria que faça as devidas estruturas de ligação, é uma constante na TIME e os meios multimídia que usa para chegar a essa constante. Estes conceitos estão em clara utilização no portal, com a finalidade de aumentar o contexto e, nos blocos informativos, contextualizar o leitor quando, na matéria, um termo ou pessoa possa ser abordado por meio de um conteúdo que já foi divulgando antes, remetendo a um destino e uma finalidade. 

6 Interatividade

Com uma história construída ao longo de 97 anos, TIME se destaca pela interatividade e, principalmente, pelo impacto de suas capas, que se constituem momentos que se firmaram no imaginário tanto jornalístico quando no da sociedade. Presente nas principais redes sociais digitais, a revista tem um total de mais de 29 milhões de seguidores nas redes, sendo o Twitter a principal plataforma, com uma liderança de 18 milhões.

Sempre que uma nova matéria é postada no portal, automaticamente fica presente nas redes sociais digitais da TIME, com a mesma imagem em destaque usada pela equipe da revista. Um dado importante dessa interatividade com os leitores são os comentários públicos e reações que estão sempre disponíveis. 

Exemplo disso é a aguardada capa que elege a Pessoa do Ano pelos editores da revista. A mais recente, a título de redação deste artigo, foi publicada nas redes sociais digitais, em simultâneo com o portal, no dia 25 de dezembro de 2020. No Twitter, a capa animada teve 104 mil visualizações e cerca de 17 mil curtidas naquela rede social, enquanto no Instagram o impacto interativo dessa informação foi ainda maior: Mais de 183 mil curtidas naquela rede social. Esses dados coadunam com o que diz Rost (2014, p. 53), quando observa que

A interatividade é um conceito ponte entre o meio e os leitores/utilizadores, porque permite abordar esse espaço de relação entre ambas as partes e analisar as diferentes instâncias de seleção, intervenção e participação nos conteúdos do meio. Insere-se nessas zonas de contacto entre jornalistas e leitores, que as tecnologias têm alargado e simplificado.

Ao partir do princípio da interatividade como relação das pessoas e os meios eletrônicos, a TIME se destaca por promover esse acesso ainda mais amplo de suas próprias demandas, como os 100 mais influentes do ano, ou seja, as empresas mais importantes do período. Ser escolhido pelos editores da TIME como símbolo contemporâneo criou uma espécie de fetiche no público, e os impactos dessa interatividade se dão nas reações de compartilhamento sempre quando a revista trás uma matéria de importância e urgência. 

A relevância da revista pode ser averiguada na plataforma Google Trends – ferramenta de busca por nível de interesse do internauta, onde é possível observar o conjunto dessas características estudadas neste artigo. Os dados mostram que entre 11 e 16 de maio de 2021, as buscas pela publicação atingiram um pico de nível 100, quando as reportagens da revista figuram o maior nível de interesse do internauta. Nesse modelo de pesquisa, EUA, Índia e os Emirados Árabes Unidos são os países que mais acessam o portal da revista, e num modo geral, a busca para se tornar assinante cresceu cerca de 90% nessas regiões devido ao interesse demonstrado. 

Considerações Finais

          É perceptível a evolução que acompanha a revista TIME em seu portal, o que remete ao crescimento da versão impressa ao longo de sua história. O portal da publicação vai ainda mais longe que as sete características do webjornalismo, conforme livro organizado por Canavilhas (2014), como visto na plataforma Google Trends. Entre as características, é possível afirmar que ubiquidade não é observada na revista objeto de análise. 

          A harmonia das principais características de webjornalismo encontradas, como Memória, Interatividade e Instantaneidade, está demonstrada na variedade global de sua influência, pelo referencial da qualidade de seu material digital, e nas suas plataformas, ainda que se sobressaia o poder de suas narrativas, marca registrada de sua longa história. A missão percorrida pelo portal foi a de transmutar essa referência de um leitor habitual à sinergia das telas, sons e imagens que, em movimento ou não, aumentam a gama de contexto e de entendimento dos novos públicos, ávidos pela urgência, sem perder a excelência. 

Referências bibliográficas

CANAVILHAS, João (organizador), Webjornalismo 7 caraterísticas que marcam a diferença. 2014.

LORENZ, Mirko. Personalização: Análise aos 6 graus in Webjornalismo: 7 caraterísticas que marcam a diferença 2014, p. 141.

MARTINS, Luiz Gerson, RIVERA, Diana (Organizadores), +25 Perspectivas do Ciberjornalismo. 2020.                      

PALACIOS, Marcos. Memória: Jornalismo, memória e história na era digital in Webjornalismo: 7 caraterísticas que marcam a diferença, 2014, p. 105.                           

ROST, Alejandro. Interatividade: Definições, estudos e tendências in Webjornalismo: 7 caraterísticas que marcam a diferença, 2014, p. 53.

SALAVERRÍA, Ramón. Multimedialidade: Informar para cinco sentidos in Webjornalismo: 7 caraterísticas que marcam a diferença, 2014, p. 29. 

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