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SILVIA BESSA: No jornalismo, a arte de desconfiar (ainda) é fundamental

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A jornalista aborda múltiplos aspectos do jornalismo impresso e a influência da comunicação digital

Silvia Bessa aconselha muita leitura como base para  atuação dos futuros jornalistas (Fotos: Fernando Souza)

Silvia Bessa aconselha muita leitura como base para atuação dos futuros jornalistas (Fotos: Fernando Souza)

A jornalista Silvia Bessa, que desempenhou a função de editora adjunta do caderno “Vida e Arte” no jornal O Povo e atualmente é editora adjunta do portal O Povo Online, fala sobre as variadas questões e os mais diferentes aspectos relacionados ao jornalismo impresso e digital. Em entrevista ao Quinto Andar, ela aponta que não são poucos os desafios enfrentados durante o processo de produção de um jornal impresso.

Com entusiasmo, Silvia Bessa detalhou as peculiaridades da produção textual nos dias atuais, as características e influências da tecnologia diante da produção de conteúdo impresso. Ao final, ressaltou a importância do hábito de leitura e gentilmente listou algumas orientações para os futuros profissionais do jornalismo, a respeito de pontos importantes para quem pretende seguir carreira jornalística.

Quinto Andar – Fazendo uma avaliação do segmento em que você atua ( caderno Vida & Arte), quais são os pontos positivos e negativos na atualidade se comparado com antigamente?
Silvia Bessa: É difícil julgar o que é melhor ou pior, é muito diferente. De uma forma geral acho que há uma pressão. Os jornais estão passando por um momento de crise, não só o jornal O Povo, mas os jornais de uma forma geral. A era digital meio que desestabiliza o papel do jornal. Há também questões econômicas em jogo, porque a instabilidade econômica no país aumenta… O dólar aumenta, também aumenta o valor do papel. O caderno Vida & Arte acabou de reduzir. Ele era um caderno de oito páginas e passou para seis. É bem diferente do cenário que eu vivi no Vida & Arte, tempo atrás, que chegava a doze páginas… Havia uma equipe que era o dobro da equipe que temos hoje.

QA – Qual o papel das plataformas digitais na reinvenção dos jornais? Que tipos de desafio o jornalismo impresso enfrenta diante do avanço da comunicação online?
SB: Acho que ainda não existe resposta para qual papel restará ao jornalismo impresso. Temos um diferencial em relação ao jornalismo digital, porém, hoje, o digital atualiza a informação em segundos e todo mundo tem acesso a isso. A questão é buscar e estar para além desse fugaz, que rapidamente se renova. Você deve cercar seu conteúdo de informações que permaneçam. No online é tudo rápido, a resposta é rápida, porém a resposta não é aprofundada. O perfil do profissional (jornalista) é muito pautado nessa nova realidade e isso só é possível por conta do acesso aos novos meios de comunicação.

Imagem de Amostra do You Tube
Jornalistas, redatores e diversos profissionais durante mais um expediente do jornal O Povo

Jornalistas, redatores e diversos profissionais durante mais um expediente do jornal O Povo

QA – O jornalismo vai muito além de levar notícia e informação. Até que ponto o jornalismo é importante na formação da opinião pública e dos hábitos culturais do leitor nos dias de hoje?
SB: Penso que o repertório do jornal já teve um impacto muito maior. Hoje em dia isso é muito menor, pois existem outras formas das informações serem divulgadas, incluindo as redes sociais. Hoje, ele tem uma função que é diferente da que já teve, já que não é a única fonte de informação. O público tem acesso a outras fontes de notícia dos bens culturais. Mas, claro, que o gosto será pautado por aquilo que você tem acesso. Existem dois momentos: o primeiro é o de ‘curadoria’, que é responsabilidade do editor, dizer o que entra ou não no jornal. O segundo momento é a escolha da pauta e a interferência no gosto do leitor. Os jornais já tiveram textos críticos e especialistas nas áreas, que entendiam de literatura, que acompanhavam o mercado, a música… Hoje temos bons profissionais, mas que não são tão especialistas quanto antigamente.

QA – Se você pudesse dar três dicas para os futuros jornalistas, quais seriam?
SB: Antes de qualquer coisa, para ser jornalista tem que ser curioso. Tem que fuçar, tem que ir além do que é superficial, já que a curiosidade é o que move. A segunda seria estar aberto a novas descobertas. Fico muito preocupada com alguns jornalistas que são cheios de conceitos e crenças. Penso que, na nossa profissão, isso é perigoso, já que estamos com formação de opinião, de acesso à informação. É preciso estar aberto a novas ideias, estar entregue ao outro, escutar o outro. O terceiro ponto é estudar. Tem que ler muito. Muitas vezes o profissional se satisfaz com o que está nítido, não vai atrás de investigar, se baseia no senso comum e isso está ligado ao hábito de leitura. É fundamental desconfiar, e esse desconfiar vem de um repertório maior.

Fernando Souza
5º Semestre

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