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SUICÍDIO: Projeto Vidas Preservadas desenvolve ações em defesa da vida

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Saúde mental, orientação psicossocial e qualidade de vida são alguns dos propósitos da iniciativa, que traz no seu programa palestras e cursos voltados para profissionais da gestão pública

Medo, angústia, ansiedade e depressão são alguns dos fatores que levam milhares de pessoas no Brasil ao suicídio. O Ceará é o terceiro estado do Brasil no ranking de casos e os números chamam atenção. De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de 3.374 pessoas tiraram a própria vida no Estado, uma média de 562 por ano e 46 por mês.

Com o objetivo de promover ações de prevenção ao suicídio, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) lançou em março deste ano, o projeto Vidas Preservadas. A ação visa a realizar debates e palestras voltadas para profissionais da saúde com o enfoque na prevenção do suicídio. O objetivo é chamar atenção dos órgãos responsáveis, esclarecendo e alertando sobre as maneiras de tratar do assunto.

Psicólogos que participaram do curso “Impulso de Vida”

O projeto tem realizado vários cursos e palestras pelo estado, entre eles o “Guardiões da Vida” que envolve profissionais da área da saúde mental, Secretária de Educação de Fortaleza, Maracanaú e do Estado, Ministério Público e outros profissionais fora do Ceará. O curso prepara os profissionais por meio de uma abordagem simples, para identificar essas pessoas e encaminhá-las para os serviços e órgãos responsáveis de ação psicossocial.

Além dessa atividade estão sendo desenvolvidas outras como o curso “Impulso de vida” que teve início em julho deste ano. Participaram 70 psicólogos da rede estadual que trabalham nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas) e o Centro de Referência de Assistência Social (Cras).

O curso “Impulso de Vida” tem o objetivo de capacitar os profissionais por meio da metodologia criada pela professora e psicóloga Alessandra Xavier

O programa fez parte da tese de doutorado da professora e psicóloga Alessandra Xavier, que está à frente do curso. A temática é voltada para jovens adolescente em situação de risco de suicídio. A metodologia prevê um grupo de cinco jovens, que devem se reunir uma vez por semana, por duas horas e meia, por cinco semanas. Para a coordenadora do projeto “a aplicação da metodologia tem trazido resultados positivos por meio da literatura mundial, como a redução de ação suicida, diminuição da desesperança como habilidades de resolução de problemas e aumento dos fatores protetivos”, avaliou.

Desde o lançamento do plano, já foram realizadas várias ações pelo estado e em outras regiões do país. Profissionais de segurança do RioMar de Fortaleza receberam orientações com o Major Edir Sousa, do Corpo de Bombeiros, sob a coordenação de Alessandra Xavier. Durante a programação anual, ainda teve palestra voltada para os profissionais das mídias, com a presença do jornalista da GloboNews, André Trigueiro. O evento, que aconteceu no Auditório da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), teve o objetivo de esclarecer as causas do suicídio e de como o assunto deve ser tratado na mídia. A discussão foi levada ao Sindicato das Escolas Particulares, para alertar sobre a necessidade da alteração na grade curricular, com a inserção de temas voltados a questões emocionais.

“O não falar sobre suicídio é tão ruim quanto falar da forma errada”
Hugo Mendonça

Para o Promotor de Justiça e Coordenador do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude (CAOPIJ), Hugo Mendonça, o projeto Vidas Preservadas tem dois objetivos muito claros: “O primeiro é fazer com que o fenômeno social do suicídio se torne pauta prioritária e obrigatória da sociedade cearense. Que seja discutido não só no mês de setembro, mas que seja discutido abertamente, não apenas pela mídia e também pela mídia, mas por todas as pessoas de todos os grupos sociais aonde nós temos influência. É tirar o tema suicídio do esquecimento e quebrar o tabu de que não se deve falar sobre o suicídio. O não falar sobre suicido e tão ruim quanto falar da forma errada”.

Profissionais da segurança pública participam de palestra no Ministério Público

Ele acrescenta que o segundo objetivo é fazer com que políticas públicas sejam fortalecidas ou surjam novas políticas públicas para a prevenção do suicídio. “Para isso precisamos do reconhecimento pelos gestores, de que essa política é uma política que precisa ser prioritária e consequentemente é preciso que eles destinem recursos públicos de forma prioritária para essa política do orçamento público. Esses são os dois grandes objetivos”.

Motivos para viver: “30 Desafios da Vida”
Apreciar o pôr do sol, comer a comida favorita, fazer meditação e comtemplar a natureza são hábitos simples que uma pessoa que pensa em suicídio não vê sentido em realizar. O Ministério Público do Ceará (MPCE), por meio do projeto Vida Preservadas, lançou no mês de setembro, a proposta de “30 Desafios da Vida”.

Alessandra Xavier ministra o curso “Impulso de Vida” para 70 psicólogos

O objetivo foi mostrar que, por meio de ações simples, é possível perceber como é bom sentir o folego da vida. O projeto surgiu com ideia de combater os desafios e brincadeiras perigosas que são veiculados na internet, por meio de vídeos e sites. São atividades voltadas a fortalecer o diálogo consigo e com outro, aprender coisas novas, criar novos vínculos, fazer atividades físicas e valorizar atividades simples.

“A aplicação da metodologia tem trazido resultados positivos por meio da literatura mundial, a redução de ação suicida, diminuição da desesperança como habilidades de resolução de problemas e aumento dos fatores protetivos”
Alessandra Xavier

O interessado em participar pode ir até o site do MPCE, buscar por “30 Desafios da Vida” e acompanhar o calendário de atividades que podem ser feitas durante esses 30 dias. A programação está disponível no site e pode ser acessada. Para a psicóloga Alexandra Xavier, “as ações visam acrescentar, junto com uma série de outras ações, um elemento disparador para os elementos de vida, para autoestima, esperança; e oferecer um empurrãozinho do bem, para expressar os seus sentimentos, trabalhar as relações interpessoais, inserção de arte, prática de exercícios físicos e importância de proteção. Servem como pequenas forças para oferecer um pouco mais de cuidado”, disse.

Para Alexandra, as atividades de valorização à vida não são uma ferramenta de suprir sofrimentos, mas vão de contraponto com os desafios de morte que são veiculados na internet.

Texto: Luana Ribeiro (6º semestre – Jornalismo/UNI7)

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