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FORTALEZA 293: Professores da UNI7 homenageiam a cidade neste aniversário

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Conto e reprodução de jangada, símbolo cearense, são exemplos dos tributos à Capital

Fortaleza completa 293 anos, neste sábado, 13 de abril. Para comemorar a data, os professores dos cursos de Comunicação do Centro Universitário 7 de setembro (UNI7), homenageiam a cidade com suas impressões contadas em textos e registros fotográficos.

Alguns desses professores saíram de seus estados, suas cidades natais e cravaram raízes em Fortaleza. O fenômeno do êxodo, interior do Estado para a Capital foi, e continua fazendo parte do projeto de vida de muitas pessoas que buscam novas oportunidades. Hoje, a capital registra mais de 2,6 milhões de habitantes, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018.

Aos que nasceram em terras alencarinas ou aos que foram adotados, a cidade representa diferentes significados. São quase três séculos de história marcada pelo desenvolvimento e singularidade do povo cearense. A cidade é uma combinação de muitas sociedades que, ao longo do tempo, formataram sua história.

Seja pelas influências parisienses na metrópole, relatadas no livro Royal Briar: A Fortaleza dos anos 40, de Marciano Lopes, o tupi do Pajeú, riacho que atravessa a cidade, ou o holandês Forte Schoonenborch, ponto de partida para criação do município, Fortaleza transita entre passado e futuro marcando a vida de muitas pessoas.

Texto: Vitória Barbosa (4º semestre – Jornalismo/UNI7)

Por uma Fortaleza mais colorida por Davi Rocha

(Foto: Davi Rocha)

Quando penso em Fortaleza, penso em um mar de contrastes. Penso em mundos distantes, realidades alternativas, coexistindo harmoniosamente (e por vezes, nem tanto) em um país não menos contraditório. Há muito do que se celebrar e, infelizmente, se lamentar em relação à nossa cidade.

Mas, quando penso em Fortaleza, escolho enxergá-la em cores vibrantes. Não apenas para constatar como ela (em parte) é, mas também para inspirar a mim e a outros, a lutarmos para torná-la cada vez mais colorida.

A menina e a cidade por Ana Márcia Diógenes

Resolvi falar do meu afeto por Fortaleza por meio do conto não por ser jornalista e ter intimidade com as palavras, mas porque queria discorrer sobre como meu percurso de vida se entrelaça com a cidade. Quis mostrar os sentimentos de surpresa, adequação, pertencimento… E, ao mesmo tempo, o distanciamento necessário para que o afeto nos permita sempre ver os espaços de adequação: tanto nossos quanto da cidade.

(Foto: George Braga)

A menina e a cidade: sobre cafunés, sonhos e raízes

A menina olhava a cidade grande pela janela do ônibus, depois de algumas horas na estrada. Outras vezes a olhava pela janela do carro de parentes, que davam carona. Numa dessas ocasiões, uma senhora simpática lhe fazia cafuné enquanto os quilômetros eram consumidos pelo tempo. O tempo passou, a sensação do carinho ficou.

A cidade da janela era sinônimo de algumas agulhas penetrando o corpo frágil e médicos fazendo prognósticos sobre uma garganta que assustava. Mas significava também, e mais ainda, um tempo de descobertas sobre um mundo que se abria aos seus olhos.

A casa da tia que hospedava a ela e seus pais era tão grande que a menina se perdia. O nome e jeito de ser dos tantos primos ela ia aprendendo devagar. O jardim com bancos de praça e o vento litorâneo a abraçavam e a dividiam. A sua pequena cidade também era pouso de emoções: os amigos que ficavam, a professora, a rua quase sem carros que descomplicava a brincadeira.

Até que um dia ouviu a palavra mudança sendo mastigada no almoço. Depois, no dia seguinte, e mais e mais. De uma hora para outra se amontoaram caixas, objetos selecionados, a sensação de outros perdidos para sempre, abraços e um caminhão. A cidade grande agora também era sua. A sua cidade pequena era que passava a ocupar o campo da memória.

Chegar a Fortaleza e plantar raiz aos sete anos parecia um esforço de João e Maria procurando a trilha de volta para casa, com pedacinhos de pão. Mas o tempo e a necessidade formataram o caminho: na casa da frente, de uma rua de areia e até então sem saída, surgiu a primeira amiga. Uma menina com uma boneca na mão, vontade de saber sobre a cidade pequena e um mundo a descobrir.

Fortaleza entrava para sempre na vida dela. Não era mais o fim de uma estrada. Era a própria estrada.

Anos depois, novas caixas, outro caminhão. Mudanças de endereço se seguiram e se seguem, mas a cidade ainda é a mesma… Mas, será a mesma? Não. Nem a cidade, nem a menina.

Ela se entrelaçou tanto com a cidade que foi oficialmente declarada cidadã, com título e tudo. A cidade se envolveu tanto com ela que lhe apresentou gerações de amigos, escolas, faculdade, o exercício da profissão, marido

(também estrangeirado, de outra cidade), brotou filhos, rendeu medos, abriu espaços.

O passar do tempo já mostrou alternativas, recusadas, de viver em outras cidades. O olhar se mostrava enraizado.

Hoje, alternativas assim até seriam repensadas.

Não, a relação com a cidade não se deteriorou. Pelo contrário, ficou mais forte. O endereço já está cravado no horizonte. Indelével.

É que a menina agora tem raízes ao vento. Elas vagam pelo mundo, mas sabem onde o seu olhar repousa. Fortaleza é um alimento para as suas raízes, que sempre tocam e se nutrem dessa terra.

O cafuné das viagens da infância faz com que suas emoções se deixem levitar entre as várias cidades, os seus momentos e prazeres. Prazeres que se complementam, que reforçam o sentimento de humanidade, de universo.

Emoções que convivem, com placidez, com o prazer de abraçar uma cidade que se fez grande enquanto ela crescia e o de brilhar os olhos quando revê sua pequena cidade de nascença, sem ter que se dividir. E que também a fazem vibrar com a possibilidade de conhecer novas cidades e sua gente.

É o caminho que faz uma cidade. É o prazer de tê-la, inclusive de sabê-la mesmo com seus percalços, que nos faz cidadãos. É o pertencimento que nos faz querê-la melhor.

Sempre haverá uma menina com olhos inquietos em busca de uma cidade para sonhar e crescer com ela.

Parabéns, Fortaleza. A menina se fez mulher e agradece à cidade que se fez palco para as suas possibilidades.

*Quixadaense por nascença e gratidão, intitulada fortalezense por adoção e ação. Amante da cidade e pensadora de suas questões e soluções. Jornalista, professora de Jornalismo, Militante da Felicitância.

Fortaleza de todos os tempos por Vânia Tajra

(Foto: Vânia Tajra)

Quando cheguei à Fortaleza, em 1996, nada me encantou mais do que o símbolo natural do Estado do Ceará: a jangada! A jangada me levou à nostalgia de tempos antigos, onde o olhar do homem ainda brilhava com a inocência.

Reunir cores e magia através da porcelana me mostra um mundo abstrato que, muitas vezes, se confunde com o real… Nessa intersecção de tantos sentimentos é a emoção que prevalece quando penso na Fortaleza de todos os tempos.

O gol, o mar, a planta por Fernando Nobre Cavalcante

(Foto: Fernando Nobre)

Os olhos do menino na bola eram iguais aos meus. Ele fitava e não parava. Focava no único esquadro que estava em sua vista. Minha vista era a mesma. Mas, estava por trás da do menino. Ela revelava João. Um pouco mais velho como eu, sem parar de olhar pra a mesma vista, que não era a do menininho e nem a minha. Eram três vistas distintas. Mas, cada uma deles era uma só. O Gol. O Mar. A Planta.

O Pombo também parou. Voo e parou. Próximo ao Gol, ao Mar e à Planta. Foi assim minha primeira tarde no Poço da Draga. Faz cinco anos. E como foi tarde que cheguei lá. Demorei quase trinta anos pra ver o Gol, o Mar e a Planta. Mas, todos estavam lá naquela hora. Naquele lugar próximo ao barco abandonado da Draga. Próximo do teu Aquário. Do Cid! Digo, do Nosso Aquário. Quando retornarei para ver o Mar, o Gol, a Pomba e a Planta? Quando retornarei para mergulhar no Aquário Teu? Um Mar vai dizer…

Uma cidade linda por Morgana Bavaresco

(Foto: Morgana Bavaresco)

Adoro fotografar, principalmente em ambientes externos. Gosto de observar a rotina de uma cidade pelo olhar da câmera fotográfica, além de guardar registros de momentos e viagens que fizeram e fazem parte da minha vida.

Basta rever as fotos para voltar no tempo e relembrar todos estes pequenos momentos. Fortaleza é uma cidade linda, com seus encantos naturais, com o mar e o calor do sol, que permitem o movimento e a liberdade das pessoas que têm o prazer de viver aqui.

F de Fortaleza por Miguel Macedo

(Foto: Alcides Freire)

A letra F (efe), de Fortaleza, é a sexta letra do alfabeto português e é também a quarta consoante. É utilizada em 1.02% das palavras portuguesas.

Fortaleza – forte ou fortificação -, do latim fortis = forte ou facere = fazer. E o lema do município de Fortaleza, Capital do Estado do Ceará, presente em seu brasão, é a palavra em latim Fortitudine, que, em português, significa “força, valor, coragem”.

Parodiando a história, de autoria desconhecida, vai aqui, a seguir, minha mensagem à Fortaleza, no aniversário de 293 anos:

Feito fato, Fortaleza, faço felicitações, festejo felicitâncias.

Finalidade foi fomentar fundamentos factíveis fizessem florescer façanhas fascinantes.

Formosa Fortaleza, feições fragmentadas, fruições, facções frustram.

Flora, fauna, fronteira fragmentada.

Feliz, Fortaleza, festeja!

 

História do F, em Fortaleza

(autoria desconhecida)

Um cidadão chega a um restaurante, na Praça do Ferreira, senta-se e, acenando com o braço para o garçom, diz:

– Faz favor, firmeza, fineza fazer frango frito!

– Pois não, com quê, cavalheiro?

– Farofa, feijão e fritas.

– Deseja beber alguma coisa?

– Fanta.

– Um pãozinho para esperar a refeição?

– Faça fatiado.

O garçom serve o cliente inconformado com o fato dele falar tudo com F, e volta depois que o sujeito termina a refeição.

– Vai querer sobremesa?

– Frutas frescas.

– Tem alguma preferência?

– Figo.

Depois da sobremesa, ainda curioso, o garçom pergunta:

– O senhor deseja um café?

– Forte e fervido.

Quando o sujeito termina o café, o garçom lhe faz algumas perguntas:

– E então, como estava o cafezinho?

– Frio, fraco, fedorento, fervido num filtro furado, formiguinhas flutuando no fundo, fazendo fofoca.

Aí o garçom decide desafiá-lo a fim de testar até onde ele vai.

– Qual é sua graça?

– Fernando Fagundes Faria Filho.

– O senhor é de Fortaleza mesmo ou veio de outra cidade?

– Fortaleza.

– O senhor trabalha?

– Fui ferreiro.

– Deixou o serviço?

– Fui forçado.

– Por quê?

– Faltou ferro.

– E o que o senhor fazia?

– Ferrolho, ferradura, faca… ferragem.

– O senhor torce por algum time?

– Fui Fluminense.

– E deixou de ser por quê?

– Fez feio.

– Qual é o seu time agora?

– Fortaleza.

– O senhor é casado?

– Fui.

– E sua esposa?

– Faleceu.

– De que?

– Frio e fome.

O garçom perde a calma e diz:

– Escute aqui, se você falar mais dez palavras com a letra F, pode se

levantar e ir embora sem pagar a conta.

– Foi formidável, figura. Fazendo fiado, fácil, fácil fico freguês!

O homem levanta-se e sai andando, mas o garçom grita:

– Ei, espere aí! Ainda falta uma palavra!

O homem responde, sem se virar:

– Fui!

(Foto: Morgana Bavaresco)

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