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AUDIOVISUAL: Destaque na cena nacional Festival NOIA acontece no Dragão do Mar

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O evento reúne, entre 11 e 16 deste mês, produções de estudantes de todo o Brasil gerando ambientes voltados para troca de experiência e fortalecimento do cenário

Mostra cearense e nacional competitiva das produções de audiovisual, oriundas do universo universitário, o Festival NOIA certifica, a cada ano, um amplo crescimento do segmento. Paulo Benevides, economista, gestor de projetos e diretor do festival, lembra, em entrevista ao Quinto Andar, o percurso trilhado pela mostra e destaca os desafios, avanços do cenário, entre outras questões sociológicas.

Além de comportar exibições de cinema, fotografia e bandas, o evento viabiliza espaços para diálogos como Seminário e Fórum do Audiovisual Universitário. Rumo à 17° edição, o Festival NOIA 2018 será realizado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e no Porto Dragão, antigo Sesc Praia. Confira a entrevista na íntegra.

Fátima Belarmino: Paulo Benevides como começou o Festival Noia?
Paulo Benevides: O Festival NOIA surgiu em 2002, por meio da inquietação dos alunos de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (UFC). Existia o desejo de criar um espaço alternativo para a exibição de filmes que, apesar de sua qualidade, muitas vezes eram rejeitados pelos grandes festivais de cinema.

FB: Quem são esses alunos?
PB: O projeto foi concebido por Angélica Emília, Ione Lindelauf, Junior Ratts e Virna Paz. Esses alunos fizeram uma mostra de vídeos universitários em 2002. Em 2003, me convidaram para ser o consultor cultural e escrever o projeto. Então, fizemos o Festival Sul-Americano de Cinema Universitário, que depois virou no ano seguinte, Festival Nacional de Cinema Universitário. Depois agreguei a fotografia e bandas. E agora é o Festival do Audiovisual Universitário.

FB: Atualmente existe a presença dessa formação inicial?
PB: Não. Todos se formaram e saíram do projeto, foram exercer outras funções. Ficou apenas eu e a equipe que já produzia anteriormente.

Diretor do Festival NOIA, Paulo Benevides, diz ter orgulho do trabalho com os projetos culturais (Foto: divulgação Festival NOIA)

FB: A ‘inquietação’ desse grupo de jovens universitários, era o desejo de criar um movimento que divulgasse o audiovisual considerado apenas representativo à classe universitária?
PB: Sim, pois eles tentaram enviar filmes feitos por eles em outros festivais nacionais e, não tiveram sucesso. Por isso decidiram elaborar um festival exclusivo para universitários.

Corpos Geográficos produzido por Ariel Volkova, Indira Brígido e Marjorye Maciel, Pacatuba – CE, Vila das Artes, 2016, fez parte da Mostra Cearense de Cinema 2017 (Foto: divulgação Festival NOIA)

Habilitado Para Morrer, 2017; de Rafael Stadniki / UnB, DF, foi um dos filmes exibidos pela Mostra Brasileira de Cinema 2017 (Foto: Divulgação Festival NOIA)

FB: Quais foram às dificuldades iniciais para realização desse projeto?
PB: A maior dificuldade foi a elaboração de um projeto para captação de recursos. Por isso me convidaram em 2003, para sua elaboração e captação junto aos órgãos públicos municipal, estadual e federal, onde conseguimos apoio financeiro via Fundo Nacional de Cultural e parceria com o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

FB: Esses obstáculos persistem?
PB: Sim, pois a captação é constante para que o projeto seja realizado. Atualmente contamos com apoio do Mecenas Ceará via Enel com aporte financeiro e de editais públicos para que o evento aconteça, mas anualmente é sempre uma incógnita de quem patrocinará o Festival.

FB: Pierre Bourdieu foi filósofo e sociólogo francês. Em seus discursos ele apontava preocupações com o que se diz respeito à intrusão da lógica comercial no universo da produção e circulação dos bens culturais. Paulo, como você enxerga a produção atual dos movimentos de resistência? A lógica comercial que tanto ameaça a independência conquistada com dificuldade está presente nos movimentos de resistência?
PB: O movimento de resistência acontece por meio da energia dos integrantes destes movimentos. A realização é independente de ter ou não patrocinador. Como é o caso dos Saraus que ocorrem em Fortaleza, onde os integrantes não querem apoio comercial para não tirar a liberdade de expressão. Contudo quando um Festival, mesmo com caráter de movimento independente como é o NOIA, se torna profissional, isto é, passa da barreira de movimento para ser um evento de continuidade, com atualização constante de sua equipe de realização. É necessário o apoio financeiro da lógica comercial para que seja realizado com qualidade e expectativa do público direto e indireto, além de seu enquadramento nas políticas públicas que regem a cultura.

“O movimento de resistência acontece por meio da energia dos integrantes destes movimentos. A realização é independente de ter ou não patrocinador”
Paulo Benevides

FB: A relação entre a produção e a detenção dos direitos autorais das obras, estão sendo massacradas pela lógica do lucro?
PB:
Na arte não existe a lógica do lucro, e sim a livre manifestação do pensamento e da sensibilidade artística. A necessidade da detenção dos direitos autorais da obra pela produção, projetos cultuais, como no NOIA por exemplo, é realizada por seguir as normas das políticas públicas de cultura, que exigem que para um Festival exibir filmes selecionados têm que obrigatoriamente ter uma declaração do diretor cedendo os direitos autorais de exibi-los nas ações do Festivais.

Ode a Salvador Dali, 2017, de Álamo Pascoal/ UFC, fez parte da Mostra Cearense de Fotografia 2017 (Foto: Álamo e Beatriz, divulgação Festival NOIA)

Vento Mareia (FANOR/UECE), banda de MPB nordestina fez parte da Mostra de Bandas 2017 (Foto: Igor O. Prado, divulgação Festival NOIA)

FB: O Festival parte da ideia oriunda do ambiente universitário. Atualmente como se encontra o audiovisual nas academias de ensino superior em Fortaleza?
PB:
A produção audiovisual universitária em Fortaleza pode ser avaliada pelo número de filmes inscritos por universitários cearenses nestes 16 anos do Festival NOIA. No começo do Festival, anualmente tínhamos a média de cinco filmes inscritos, saímos dessa média para a atual: 50 filmes da produção local universitária. Tudo isso, graças a ampliação das faculdades particulares com cursos diversos relacionados ao audiovisual, como publicidade e jornalismos. Mas também, como cursos específicos: cinema, da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e UFC.

FB: Como é feita a escolha do júri atuante no Festival NOIA?
PB:
A organização do NOIA convida anualmente um curador audiovisual que indica nomes para compor uma banca de selecionadores e jurados. Formada por professores universitários, produtores e diretores de cinema, com autonomia de decisão, para escolha e júri dos filmes participantes.

FB: Bourdieu ressaltava que as produções atuais enganam os espectadores e, até mesmo, os críticos de cinema. Por conta de uma reutilização de uma vanguarda incorporada na prática comercial atual. Paulo, você tem noção disso?
PB:
Compreendo esse pensamento do autor quando se fala de produção audiovisual profissional direcionada a grande massa da população, como é o caso dos “Blockbuster”. Contudo, na produção audiovisual universitária temos a incorporação das técnicas e teorias acadêmicas, com pesquisa das artes tradicionais, contemporâneas de vanguarda já realizadas, unindo a criatividade dos jovens universitários na produção de obras que apresentam um novo olhar para as produções efetuadas. Bem como a criação de novos formatos que só iram ser absolvidos pelo mercado profissional do audiovisual no prazo de dois ou três anos. Por isso, considero a produção audiovisual universitária extremamente de vanguarda.

O Seminário do Audiovisual Universitário 2017 promoveu debate acerca do mercado audiovisual. Teve participação de professores e profissionais do mercado (Foto: Igor O. Prado, divulgação Festival NOIA)

Fórum do Audiovisual Universitário 2017 foi mediado por alunos de distintas instituições de ensino de Fortaleza (Foto: Igor O. Prado, divulgação Festival NOIA)

Oficina 2017 ofertou quatro modalidades, dentre elas Gravação Audiovisual ministrada pelo diretor e professor Alex Meira (Foto: Igor O. Prado, divulgação Festival NOIA)

FB: Estar à frente do Festival NOIA, possibilita ter um diagnóstico técnico do caminho que o cenário audiovisual está trilhando?
PB:
Com certeza, o audiovisual nacional, de modo geral, encontra-se no processo de profissionalização e produção nunca visto no Brasil. Com a criação da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), os investimentos do Governo Federal estão propiciando uma elevada produção cinematográfica em todos os estados da federação. Em 2016, foram lançados 143 longas nas salas de cinema. Crescimento recorde, em comparação com 2014: 114; 2015: 128, longas metragens. Além dos editais de cinema em todos os estados, ampliando consideravelmente as produções de audiovisuais em todo o Brasil.

FB: Paulo Benevides, o Festival NOIA está rumo a 17° edição da mostra. O evento já possui data e local marcado?
PB:
Para o NOIA 2018 já temos a parceria do Ministério da Cultura via Fundo Nacional de Cultura, por ter sido contemplado no Edital de Mostras e Festival da Secretaria do Audiovisual. Além disso contamos com a parceria anual da ENEL via Mecenato Estadual e captação no mercado privado via Lei Rouanet para viabilização total do projeto. O NOIA irá acontecer de 11 a 16 de outubro de 2018. Local: Centro Dragão do Mar e Porto Dragão.

FB: Quais são as expectativas da direção para essa edição, e o público, o que pode esperar?
PB:
A surpresa de 2018, é a volta do NOIA para o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, que já nos recebeu entre os anos de 2003 e 2009. A partir de 2010, o Festival foi realizado em espaços distintos por ter sido contemplado em editais como Petrobras, Correios, Banco do Nordeste e Caixa Econômica Federal. A expectativa é que tenhamos uma ampliação de público, pois reuniremos as mostras de cinema, fotografia e bandas em um local já consolidado para ações culturais e, de fácil acesso dos jovens, que é o foco principal do Festival. A Mostra de Audiovisual será realizada no Cinema Dragão sala 02. Mostra de Bandas na Arena Dragão. Mostra de Fotografia na Multigaleria. Também serão promovidas ações de formação, elas serão realizadas no Porto Dragão. Vamos ofertar quatro oficinas nas áreas de produção, cinema, fotografia e música. A parte da formação se completa com o Seminário e Fórum do Audiovisual Universitário, que será realizado no Auditório do Dragão do Mar. Além das mostras teremos exibição de filmes de cineastas e instituições de ensino homenageadas, sessão Acesso NOIA com acessibilidade plena ao público, VJ e video mapping, antes das exibições para o NOIA voltar com todo energia ao Dragão do Mar.

FB: Quem é o Paulo Benevides após essa experiência de 15 anos?
PB:
Sou um economista que viu na cultura uma forma de desenvolvimento da sociedade, por isso estou nesse mercado desde 2001, com muito orgulho e muita vontade de viabilizar projetos culturais como o NOIA. Atualmente faço parte do Conselho Estadual de Cultura e da Câmara Setorial do Audiovisual, sendo um dos fundadores do Fórum do Audiovisual Cearense.

FB: Gostaria de acrescentar algo, que por algum motivo não tenha sido mencionado nessa entrevista?
PB:
Agradeço a oportunidade de apresentar minhas opiniões sobre o mercado audiovisual universitário e sobre o Festival NOIA.

Serviço
Festival Noia
(85) 3039-0059
Site: www.festivalnoia.com.br

Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema
(85) 3488-8600 (85) 3488-8608

Porto Dragão
Rua Boris, 90, Praia de Iracema
(85) 3488-8600 (85) 3488-8608

Texto: Fátima Belarmino (4° Semestre – Jornalismo/ UNI7)
Foto: Divulgação Festival NOIA

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