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CARREIRA: De repórter à editora de Revista, informação é o patamar

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Entrevistas

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No mercado há 27 anos, a jornalista Marlyana Lima fala sobre suas experiências e influências, além das matérias que marcaram sua trajetória e como foi trabalhar em todas as editorias do jornal Diário do Nordeste

Marlyana Lima é um exemplo de jornalista para esta geração. Em sua carreira trabalhou em todas as editorias do jornal Diário do Nordeste, tendo a informação como ferramenta de trabalho. Formada pela Universidade Federal do Ceará, UFC, começou a trabalhar como jornalista na Tribuna do Ceará, em 1991, e, já no ano seguinte, foi para o jornal Diário do Nordeste.

Marlyana Lima, jornalista com 27 anos de carreira, fala sobre sua jornada e a concepção do jornalismo atual

Começou como repórter de Cidades, depois assumiu o cargo de Chefe de Reportagem interina, sendo a primeira Editora de Reportagem do jornal. Marlyana também foi responsável pela criação do caderno “Zoeira”, e pelo suplemento de gastronomia do Diário do Nordeste. Em 2010, coordenou a criação da revista “Gente”, semestral, com tiragem de 8 mil exemplares e que recentemente publicou sua 14º edição. Atualmente é editora do Caderno de Turismo, no Diário do Nordeste, o “TUR”. Fora da redação, foi assessora do Fortal e do Sistema Verdes Mares.

Ela acredita que a rotina de um jornalista nunca é igual. “O jornalismo veio para mim com a ideia de que nós podemos conviver com as mais diversas realidades. Em um momento eu estava pela manhã fazendo uma matéria com alguém debaixo de um viaduto, entrevistando pessoas sem teto e, saindo de lá, ia pro Palácio da Abolição entrevistar o governador”, afirmou.

Quando indagada sobre o futuro do jornal impresso, disse que não sabe como será, mas que a informação nunca vai ser substituída por boatos, mesmo com o futuro incerto do jornal impresso. “Uma informação correta evita que alguém chegue atrasado. Uma informação em um patamar maior vai influenciar as decisões de vida que as pessoas vão tomar. A informação é um instrumento de mudança, de revolução, ela é um instrumento vivo. Tudo que nós jornalistas escrevemos vai afetar a vida das pessoas”, disse a jornalista, afirmando ainda que o jornalista tem o poder em suas mãos, o poder de, por exemplo, perguntar para um prefeito o que a população quer saber.

Como crítica, diz que o jornalismo atual está sendo muito superficial. “Eu vivi em um tempo onde a gente mergulhava muito mais profundamente em busca de informações, de personagens reais, não aqueles que alguém inventa. Tem repórter hoje que nem sai do carro, entrevista as pessoas pela janela apenas chamando “vem cá, deixa eu saber seu nome”. Para Marlyana, o jornalismo precisa empolgar, ser algo bom de ler, “o jornalismo é algo dinâmico. Ele empolga. Se não empolgar, vai ser apenas uma transcrição de fatos superficiais”.

Após algum tempo na editoria de Cidade, Marlyana foi chamada para criar um projeto para a editoria de Reportagem. Ela diz que no começo foi uma loucura: a ânsia de encontrar boas pautas já estava com ela desde o amanhecer. “Quando montei a Editoria de Reportagem, a ideia era de ir onde a noticia factual não conseguia chegar, de expor algo que está escondido da sociedade, mas precisa ser visto, precisa ser notado”. Embarcando na busca por pautas Marlyana lembra que sempre lia as notas de rodapé do jornal e foi lá que encontrou uma carta do leitor informando que a Casa do Estudante estava em péssimas condições.

Ao decidir fazer a pauta da Casa do Estudante, a primeira pessoa que entrevistou foi um aluno. “Logo pedi pra ele me mostrar como estava a casa, e o que eu encontrei foi um grande cortiço, sem material de higiene, sem portas no quartos, quase abandonado. Conversando com os estudantes que moravam lá, descobri que uma parcela de 20% do valor pago pelos estudantes secundaristas para a carteirinha de estudante deveria ser destinada para a Casa do Estudante e seria suficiente para viver numa casa decente. Fui descobrir como funcionava a emissão da carteira de estudante e onde aquele desvio de dinheiro era feito.”

Como resultado desta investigação, descobriu que existiam oito entidades estudantis que emitiam ou eram responsáveis pela emissão da carteira de estudante em Fortaleza. Destas, quatro eram de fachada. “Eu mesma consegui tirar duas carteiras de estudantes em meu nome em três dessas instituições. Estampei em seis colunas as minhas carteiras falsas, pra provar que era possível qualquer um fazer a carteira de estudante e que alguma coisa precisava ser feita” A repercussão dessa série de matérias foi tão grande que gerou uma CPI na Câmara Municipal de Fortaleza. Depois disso, as entidades estudantis passaram a ser avaliadas sobre como faziam para deferir a emissão da carteira de estudante.

Depois de trabalhar tanto tempo no “hard news” do jornal, Marlyana Lima estava comandando o caderno “Zoeira”, um estilo diferente do que ela estava habituada a fazer. Mas não significa que ela não conseguiu fazer história por lá. Durante o seu período no caderno, o “Zoeira” era o caderno mais lido do jornal Diário do Nordeste, perdendo apenas para a capa.

Atualmente, é a editora-chefe da revista Gente, que lançou a sua 14º edição em maio. Ela explica que a “Gente” é feita não só para o público cearense, nordestino ou brasileiro, mas para o mundo. O que dá significado para a revista é o olhar cearense sobre moda, comportamento, cultura, viagens, arte.

Marlyana Lima é um exemplo real de jornalista de sucesso, passando por todas as editorias de um jornal, provando que é possível fazer história tendo como ferramenta a informação.

 

Texto: Weider Gabriel (6º semestre – Jornalismo)

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